Dilma diz que dinheiro de estádios não vem de cofres públicos

sábado, 22 de junho de 2013 13:52 BRT
 

BRASÍLIA, 21 Jun (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que o dinheiro gasto na construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 não saiu dos cofres públicos e que os financiamentos concedidos pelo governo serão pagos pelas empresas e governos que exploram as arenas.

O discurso em rede nacional de rádio e televisão foi uma resposta aos protestos que levaram cerca de um milhão de pessoas às ruas de todo o país na quinta-feira que, entre outras reivindicações, questionaram os elevados gastos com a realização de eventos esportivos.

"Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios", afirmou Dilma em pronunciamento.

"Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a saúde e a educação", acrescentou.

De acordo com o Ministério do Esporte, o custo da Copa do Mundo subiu de 25,5 bilhões de reais em abril para 28 bilhões de reais atualmente. O valor total previsto de gasto é de 33 bilhões de reais até 2014.

Nas seis cidades que recebem os jogos da Copa das Confederações, que está sendo realizada no país, houve protestos neste mês. Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza e Salvador registraram confrontos violentos entre manifestantes e a polícia perto dos estádios.

Em Salvador, onde a seleção brasileira enfrenta a Itália no sábado, ao menos dois ônibus comuns foram incendiados por manifestantes e dois micro-ônibus a serviço da Fifa foram alvo de pedradas na quinta-feira, pouco antes da partida Uruguai x Nigéria, o primeiro jogo do torneio realizado na capital baiana.

Dilma ressaltou em seu discurso que o Brasil, como único país a participar de todas as Copas do Mundo, sempre foi bem recebido e deve fazer o mesmo.

"Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria, é assim que devemos tratar os nossos hóspedes", disse. "O futebol e o esporte são símbolos de paz e convivência pacífica entre os povos. O Brasil merece e vai fazer uma grande Copa."

O técnico da Itália, Cesare Prandelli, admitiu nesta sexta-feira preocupação com os protestos no Brasil. A Fifa informou que não discutiu a possibilidade de cancelar a Copa das Confederações por conta da onda de protestos.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro e Maria Carolina Marcello)

 
Manifestante segura camisa da seleção brasileira durante protesto contra a Copa das Confederações e o governo de Dilma Rousseff, em Recife. Dilma Rousseff disse que o dinheiro gasto na construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 não saiu dos cofres públicos e que os financiamentos concedidos pelo governo serão pagos pelas empresas e governos que exploram as arenas. 20/06/2013 REUTERS/Ricardo Moraes