Em resposta a protestos, Fifa e governo defendem legado da Copa

segunda-feira, 24 de junho de 2013 14:13 BRT
 

Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 24 Jun (Reuters) - A Fifa e o governo federal apresentaram nesta segunda-feira uma montanha de números para defender o legado que a organização da Copa do Mundo deixará para o Brasil, numa tentativa de responder aos manifestantes que tomaram as ruas do país nas últimas semanas, entre outras coisas, cobrando "hospitais e escolas padrão Fifa".

Em entrevista coletiva para avaliar a primeira metade da Copa das Confederações, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que são injustas as críticas que acusam a entidade de "se aproveitar do país e ir embora sem pagar impostos, sem criar nada e com os bolsos cheios de dinheiro".

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, garantiu, por sua vez, que não foram retirados recursos das áreas de saúde e educação para obras de estádios do Mundial.

"Apenas neste ano o orçamento da união destinado para saúde e educação é de aproximadamente 177 bilhões de reais. O orçamento do Ministério do Esporte é aproximadamente um por cento desse total", disse Aldo em entrevista realizada no Maracanã, palco da final da Copa das Confederações no próximo domingo.

"Não há nenhum desvio de recursos de saúde e educação para obras da Copa ou para a construção de estádios", garantiu o ministro, acrescentando que a organização do Mundial vai acrescentar 112 bilhões de reais na economia brasileira no período 2010-2014 e gerar 3,6 milhões de empregos, de acordo com estudo da consultoria Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

As manifestações nas ruas, que começaram como um movimento contra o aumento da tarifa de ônibus nas principais cidades do país, rapidamente encamparam temas como o combate à corrupção e repúdio aos gastos do governo com a realização da Copa do Mundo.

Balanço apresentado pelo secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, revelou que os gastos até o momento com a organização do Mundial chegaram em maio a 28,1 bilhões de reais, a maior parte de dinheiro público.

Apenas em estádios, serão investidos no total 7,6 bilhões de reais, dos quais 3,8 bilhões de reais são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com condições facilitadas, e 3,2 bilhões de reais são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Os recursos privados representam uma parcela de apenas cerca de 500 milhões de reais nas 12 arenas do Mundial.   Continuação...

 
Secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, responde a perguntas de jornalista durante coletiva de imprensa do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, no Rio de Janeiro. A Fifa e o governo federal apresentaram nesta segunda-feira uma montanha de números para defender o legado que a organização da Copa do Mundo deixará para o Brasil, numa tentativa de responder aos manifestantes que tomaram as ruas do país nas últimas semanas, entre outras coisas, cobrando "hospitais e escolas padrão Fifa". 7/03/2013. REUTERS/Sergio Moraes