25 de Junho de 2013 / às 23:20 / 4 anos atrás

Capital mineira tem clima tenso antes de jogo da Copa das Confederações

Por Tatiana Ramil

BELO HORIZONTE, 25 Jun (Reuters) - O clima festivo de uma semifinal de Copa das Confederações transformou-se em medo em Belo Horizonte, com torcedores e cidadãos mineiros apreensivos com o que pode acontecer nas manifestações previstas para quarta-feira, antes do jogo entre Brasil e Uruguai.

Manifestantes prometem fazer um grande protesto na capital mineira, ameaçando fechar ruas de acesso ao estádio do Mineirão, o que pode ocasionar confrontos com a polícia. Há ainda especulações de um cerco ao hotel onde a seleção está concentrada.

"Amanhã (quarta-feira) não vou nem sair de casa. Vai saber o que vai acontecer? A promessa é de uma manifestação forte", disse nesta terça-feira o vencedor de cachorro-quente Bruno Bowen, explicando que gostaria de trabalhar numa praça próxima à arena, mas está com medo.

Os manifestantes pretendem sair do centro da cidade, que terá feriado na quarta-feira, rumo ao Mineirão, e a polícia informou que vai se reforçar para garantir que eles não cheguem perto do estádio. O plano é montar uma barreira a 1,5 quilômetro do Mineirão.

"Eles não vão chegar perto do Mineirão e quem quebrar a ordem vai ser preso", explicou à Reuters o tenente coronel Gilmar Luciano, do setor de comunicação da Polícia Militar.

Quem vai ao jogo pretende sair de casa muito cedo. É o caso do estudante Marcelo Oliveira, que quer chegar ao estádio pelo menos quatro horas antes da partida. Ele disse que muitos torcedores, incluindo ele, vão deixar o carro num bairro que fica a cerca de 10 quilômetros de distância para ir andando até a arena.

"O clima na cidade é tenso, tudo envolve os manifestantes. Os fatos que ocorreram nos últimos dias deixam a gente com medo", declarou o estudante.

O motorista Reginaldo Cruz, que dirige um ônibus credenciado pela Fifa, disse que a orientação é "evitar lugares de muito movimento".

A Fifa também tem sido alvo de protestos no país desde o início da Copa das Confederações. As seis cidades que sediam o torneio tiveram manifestações perto de estádios contra os gastos com o Mundial de 2014 e reivindicando melhorias nos setores de saúde e educação.

Em Salvador, onde a seleção brasileira derrotou a Itália, ao menos dois ônibus comuns foram incendiados por manifestantes e dois micro-ônibus a serviço da Fifa foram alvo de pedradas na semana passada.

No sábado, Belo Horizonte teve um grande protesto, que deixou oito manifestantes e seis policiais militares feridos, um deles integrante da Força Nacional. Este foi o segundo protesto na capital mineira, onde em 17 de junho milhares de pessoas também manifestaram perto do Mineirão, e a polícia usou gases de efeito moral e balas de borracha, segundo testemunhas.

"A polícia é despreparada. Eu vi os policiais atirando balas de borracha em manifestantes pacíficos de cima de um viaduto", disse o motoboy Elias Henrique Pereira, para quem os protestos são justos.

"Foram muitos anos que o povo ficou calado e agora acordou, o povo tem que se unir. Foi muito dinheiro gasto na Copa enquanto tem hospital com obras paradas", completou ele, citando uma das bandeiras das manifestações.

Para o vendedor de salgados Jorge Guilherme da Silva, a corrupção é o maior mal do país. Ele apoia os protestos, porém por medo ficará em casa na quarta-feira.

"Existe uma apreensão devido aos bandidos que se infiltram e fazem saques. Mas acho justo (o protesto) desde que tenha um objetivo. Está na hora de o povo gritar, ele estava muito sufocado", afirmou o vendedor.

Com o feriado na quarta-feira, muitos habitantes de Belo Horizonte acreditam que os protestos podem ganhar mais força. "O clima de desconfiança está pela cidade toda. Está todo mundo com o pé atrás", disse a comerciária Yasmine Evaristo.

Segundo ela, a perspectiva na cidade é a de que o número de linhas de ônibus em circulação seja reduzido, pelo receio às reações violentas de manifestantes. "Mesmo as pessoas que dão apoio (aos protestos), todo mundo está com certo receito sobre o quão agressivo vai ser", disse ela, que trabalha numa loja no centro da cidade.

Reportagem adicional de Juliana Schincariol, no Rio de Janeiro

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