ANÁLISE-Protestos no Brasil levantam questionamentos sobre megaeventos

quarta-feira, 26 de junho de 2013 19:03 BRT
 

Por Brian Homewood

BERNA, 26 Jun (Reuters) - A irritação de parte dos brasileiros com o custo da realização da Copa do Mundo pode abalar a tese de que os países anfitriões se beneficiam dos megaeventos esportivos, que se tornaram grandes demais para a maioria dos países.

A ideia da Uefa de separar a Eurocopa-2020 em mini torneios realizados por 13 países poderia ser uma alternativa para futuros grandes eventos, segundo analistas.

A atual edição da Copa das Confederações - evento preparatório para a Copa do Mundo de 2014 - está sendo realizada no Brasil enquanto o país é tomado por uma onda de protestos. Embora os manifestantes tenham várias reivindicações, uma das principais queixas tem sido o contraste entre os reluzentes novos estádios e a precariedade dos serviços públicos.

Também há reclamações pelo fato de o governo ter quebrado a promessa de não usar dinheiro público nos estádios, e de ter desistido de vários projetos de infraestrutura que estavam planejados.

"Os estádios para a Copa do Mundo serão construídos com dinheiro privado", disse o então ministro dos Esportes, Orlando Silva, em 2007, quando o Brasil foi confirmado como país-sede. "Não haverá um centavo de dinheiro público para a reforma dos estádios."

O que aconteceu, no entanto, é que as obras atrasaram, e governos federais e estaduais precisaram intervir.

Enquanto isso, pelo menos cinco cidades-sedes ficarão sem os corredores de ônibus, linhas de metrô ou veículos leves sobre trilhos (VLTs) que estavam previstos, e a sobrecarga no trânsito deve obrigar as cidades a decretarem feriado nos dias de jogos, algo que críticos dizem cheirar a improvisação.

"O que está acontecendo atualmente no Brasil deveria ser um divisor de águas para a Fifa e a Copa do Mundo", disse Simon Chadwick, professor de marketing esportivo da Universidade de Coventry, na Grã-Bretanha.   Continuação...