28 de Junho de 2013 / às 14:48 / 4 anos atrás

Jogo "histórico" Brasil x Espanha finalmente se concretiza no Maracanã

Estádio do Maracanã, que receberá a final da Copa dos Confederações no domingo entre Brasil e Espanha. 15/06/2013 REUTERS/Sergio Moraes

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 27 Jun (Reuters) - O roteiro foi seguido à risca. Brasil e Espanha cumpriram a expectativa e vão se enfrentar na final da Copa das Confederações, domingo, no Maracanã, no primeiro encontro entre o único país cinco vezes campeão mundial e a atual seleção espanhola, que desbancou os brasileiros como o melhor time do mundo dos últimos anos.

O futebol de toques rápidos e os jogadores habilidosos que fazem do domínio da posse de bola sua principal característica levaram a Espanha aos títulos da Copa do Mundo de 2010 e das Eurocopas de 2008 e 2012. O chamado “tik taka” espanhol despertou comparações com a seleção brasileira campeã mundial em 1970, considerada até hoje um dos melhores times de todos os tempos.

Desde que ascendeu ao topo do mundo, a Espanha nunca enfrentou o Brasil - uma lacuna que os próprios jogadores espanhóis sempre reconheceram ter o desejo de preencher.

Esperava-se que as duas equipes fizessem a final da Copa das Confederações de 2009, na África do Sul, mas a seleção espanhola foi surpreendentemente derrotada na semifinal pelo Estados Unidos.

Sem os espanhóis pela frente, o Brasil acabou se sagrando campeão daquele torneio. No Mundial do ano seguinte, foi a vez de a seleção brasileira decepcionar. A Espanha foi campeã mundial derrotando na final a Holanda, que havia eliminado justamente o Brasil nas quartas de final.

O Maracanã, que carrega na memória a maior tragédia da história do futebol brasileiro - o Maracanazo do Mundial de 1950 contra o Uruguai- parece ter sido o palco predestinado para colocar frente a frente pela primeira vez a poderosa Espanha contra o Brasil.

“Esse era o jogo esperado por todo mundo para essa final”, disse à Reuters o ex-capitão da seleção brasileira Carlos Alberto Torres.

“Apesar de a Espanha não ter conseguido vencer a Itália no tempo normal, eles são um grande time e sempre houve uma expectativa por esse encontro com a seleção brasileira, principalmente numa final que será disputada no Maracanã.”

“Do lado do Brasil, acho que a equipe se superou, porque antes da competição existia uma certa desconfiança em cima desse time, mas o Felipão soube trabalhar bem o grupo e acredito que o Brasil chega nessa final preparado para enfrentar a Espanha”, acrescentou.

As duas equipes traçaram caminhos bem diferentes rumo à decisão da Copa das Confederações, com vantagem para o Brasil em termos físicos.

Enquanto o time da casa venceu o Uruguai na quarta-feira por 2 x 1 no tempo normal, os espanhóis precisaram da disputa de pênaltis para despachar a Itália, após 120 minutos de futebol, nesta quinta-feira.

Além de terem um dia a menos de descanso, os jogadores da Espanha terão de encarar uma viagem mais desgastante de Fortaleza até o Rio de Janeiro, enquanto o Brasil jogou sua semifinal em Belo Horizonte e já chegou ao Rio.

Jogadores brasileiros e espanhóis evitaram ao longo do torneio comentar sobre o possível duelo na decisão, para não antecipar uma final que ainda precisava ser confirmada dentro de campo, mas o tema sempre fez parte do ambiente das duas equipes.

“Jogadores da seleção espanhola vêm citando que gostariam de jogar contra o Brasil porque nos últimos anos eles vêm jogando um futebol maravilhoso, encantando o mundo, e não tiveram a oportunidade, depois desse crescimento, de enfrentar o Brasil”, disse o goleiro Julio Cesar nesta quinta-feira, antes mesmo de a Espanha vencer a Itália.

“Uma final no Brasil seria uma oportunidade bacana para eles, de carimbar o trabalho maravilhoso que eles vêm fazendo”, acrescentou.

“MOMENTO HISTÓRICO”

O último jogo entre Brasil x Espanha aconteceu em 1999, um empate por 0 x 0 em Vigo. À época, os espanhóis não eram nem sombra do time que passou a encantar o mundo a partir da Eurocopa de 2008, quando conquistaram o primeiro título internacional desde a Euro de 1964.

A final da Copa das Confederações acontece num momento completamente diferente. A Espanha não só conquistou os três últimos grandes torneios que disputou com o time principal como venceu neste mês o título europeu sub-21. O país lidera o ranking mundial da Fifa, enquanto o Brasil é apenas o 22o colocado.

“Estamos conscientes que desde que fomos campeões da Europa e campeões do mundo todos dizem que o fato de enfrentar a Espanha é muito importante, e para nós enfrentar os brasileiros no Maracanã também vai ser um momento histórico”, disse o goleiro e capitão da Espanha, Iker Casillas, nesta quinta-feira, após a classificação para a final.

Para Carlos Alberto Torres, capitão do Brasil na conquista do tricampeonato mundial em 1970, a Espanha não tem mais a mesma qualidade mostrada na conquista do Mundial de 2010 e da Euro 2012. Apesar de manter a mesma base, com Xavi e Iniesta como representantes do futebol técnico e de qualidade, o time vive um momento pior.

“Aquele time da Copa do Mundo e da Euro de fato tinha semelhança com a nossa seleção de 1970, muita qualidade no passe, poder de finalização, confiança. Mas essa Espanha não é mais a mesma. Além disso, eles sofreram bastante com o calor (em Fortaleza) e estão visivelmente cansados. Mas ainda assim é um grande time, sem dúvida”, disse.

Torres lembrou que, não à toa, a torcida brasileira torceu contra a Espanha em todos os jogos da Copa das Confederações, desde a estreia contra o Uruguai até a semifinal com a Itália.

Se a torcida contra tinha como objetivo evitar um possível encontro com os espanhóis na final, não adiantou, e agora caberá ao Brasil enfrentar um tira-teima dentro de campo.

“Agora não tem jeito, a seleção brasileira vai ter que provar que realmente tem condições de enfrentar os melhores times do mundo, e nada melhor do que a Espanha para isso”, afirmou.

Edição de Bruno Marfinati

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