ANÁLISE-Em meio ao gás lacrimogêneo, Brasil volta os olhos para a Copa

segunda-feira, 1 de julho de 2013 18:43 BRT
 

Por Asher Levine

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - A Copa das Confederações deste ano será lembrada principalmente pelos gritos ouvidos fora dos estádios brasileiros, e não dentro deles, e essas vozes não devem se calar com a aproximação da Copa do Mundo.

Evento teste para o torneio do ano que vem, que será bem maior, a Copa das Confederações, com oito equipes, serviu como pano de fundo para uma onda de protestos inédita em mais de 20 anos no Brasil. As manifestações praticamente ofuscaram partidas memoráveis, levando muitos brasileiros a apelidarem o campeonato de "Copa das Manifestações".

Após dois anos de futebol medíocre por parte da seleção, poucos esperavam que o Brasil brilhasse em campo. As autoridades estavam mais preocupadas em usar o torneio como uma vitrine para mostrar o Brasil como uma estável potência econômica emergente.

Quase nada aconteceu conforme o esperado. Dentro de campo, o Brasil recuperou sua reputação como superpotência futebolística, esmagando na final a Espanha, atual campeã mundial. Fora de campo, porém, o evento foi um desastre do ponto de vista das relações públicas, mostrando que o Brasil ainda têm vastas desigualdades sociais e desequilíbrios econômicos.

E os protestos também geraram sérias dúvidas a respeito da Copa-14. Embora os protestos já tenham diminuído em termos de tamanho e frequência, alguns brasileiros já estão com seus olhos voltados para o Mundial, visto por muitos como símbolo de corrupção e desperdício governamental, em detrimento de melhorias na saúde e educação.

"Eu me viro sem a Copa, o que eu quero é mais dinheiro para a saúde e a educação!", e "Não haverá Copa!" estavam entre as palavras de ordem entoadas por um grupo que participou de um protesto pequeno, mas violento, no domingo no lado de fora do Maracanã, cenário da final da Copa das Confederações.

Os brasileiros haviam usado o torneio como palco para manifestar suas insatisfações - da corrupção a reivindicações pela redução do preço das passagens de ônibus. Houve diversos confrontos em frente aos estádios, e alguns torcedores passavam em meio a nuvens de gás lacrimogêneo para chegar aos locais dos jogos.

Uma torcedora notavelmente ausente na final foi a presidente Dilma Rousseff. Depois que ela foi vaiada na cerimônia de abertura, a Copa das Confederações se transformou em um ônus político para Dilma, que viu sua popularidade despencar depois dos protestos que, no auge, levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas de cem cidades.   Continuação...