Comitê Olímpico dos EUA rejeita pedido de boicote a Sochi por Snowden

quarta-feira, 17 de julho de 2013 17:42 BRT
 

17 Jul (Reuters) - O Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC) rejeitou um pedido por boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi feito por um senador norte-americano se a Rússia conceder asilo a Edward Snowden, dizendo que tal medida não seria do interesse do país ou dos atletas.

O porta-voz do USOC, Patrick Sandusky, divulgou um comunicado nesta quarta-feira anunciando a posição do comitê contrária a qualquer boicote político aos Jogos.

"Se há alguma lição a ser aprendida com o boicote americano de 1980 é que os boicotes olímpicos não funcionam", disse o comunicado.

"Nosso boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 não contribuiu para uma resolução bem-sucedida do conflito subjacente. No entanto, privou centenas de atletas norte-americanos, os quais tinham se dedicado a representar o nosso país nos Jogos Olímpicos, da oportunidade de uma vida."

"E também privou milhões de americanos da oportunidade de ter orgulho nas conquistas dos nossos atletas, e na sua dedicação e empenho, no momento em que mais precisavam."

Os EUA boicotaram os Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscou em protesto contra a invasão do Afeganistão pela União Soviética. A União Soviética respondeu liderando um boicote de países do bloco do Leste na Olimpíada de 1984, em Los Angeles.

No início desta semana, o senador Lindsey Graham disse que os Estados Unidos devem considerar boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 em Sochi se Snowden, um ex-prestador de serviço da agência de espionagem dos EUA acusado de vazar informações confidenciais, receber asilo na Rússia.

"Eu amo as Olimpíadas, mas odeio o que o governo russo está fazendo pelo mundo", disse Graham à NBC na terça-feira. "Se eles derem asilo a uma pessoa que eu acredito que cometeu traição contra os Estados Unidos, isso é levar a situação a um novo nível."

A perspectiva de um boicote parece mínima, uma vez que a decisão final sobre a participação nos Jogos de Sochi, de 7 a 23 de fevereiro, está nas mãos do USOC.

"Embora reconheçamos a gravidade dos problemas, nós nos opomos fortemente à noção de que um boicote aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos seja do interesse do nosso país", disse Sandusky.

(Reportagem de Julian Linden, em Nova York)