20 de Agosto de 2013 / às 14:04 / em 4 anos

Atleta russa nega que beijo no pódio tenha sido apologia gay

Duas atletas da equipe russa, medalhistas de ouro no revezamento 4x100 do Mundial de Atletismo, beijam-se durante a cerimônia de entrega de medalhas, em Moscou. Kseniya Ryzhova lamentou que seu beijo em Yulia Gushchina tenha ofuscado a comemoração da vitória russa no revezamento 4x400m no sábado, e negou nesta terça-feira que o "selinho" dado em uma colega no pódio fosse um protesto contra a polêmica lei local que proíbe a apologia à homossexualidade. 17/08/2013.Grigory Dukor

Por Alissa de Carbonnel

MOSCOU, 20 Ago (Reuters) - Uma atleta russa negou nesta terça-feira que o "selinho" dado em uma colega no pódio do Mundial de Atletismo em Moscou fosse um protesto contra a polêmica lei local que proíbe a apologia à homossexualidade.

Kseniya Ryzhova lamentou que seu beijo em Yulia Gushchina tenha ofuscado a comemoração da vitória russa no revezamento 4x400m, no sábado.

"Não havia motivação política oculta", disse ela sobre o beijo, mostrado por TVs do mundo todo.

"Em vez de cumprimentar as atletas, (os meios de comunicação) decidiram insultar não só Yulia, mas toda a federação de atletismo (da Rússia). Antes de mais nada, Yulia e eu somos casadas", disse ela, sob aplausos dos jornalistas russos.

Não é raro que amigas russas se cumprimentem com beijos nos lábios, mas o fato ganhou repercussão em um Mundial de Atletismo marcado por polêmica acerca da nova lei local que proíbe a apologia da homossexualidade para menores -- parte de uma ofensiva conservadora do governo de Vladimir Putin.

A lei foi condenada no exterior, mas pesquisas mostram amplo apoio dos russos. Por causa da lei, grupos de defesa dos homossexuais propuseram um boicote à Olimpíada de Inverno a ser disputada em 2014 na cidade russa de Sochi.

Alguns atletas russos, no entanto, saíram em defesa das medidas. A saltadora Yelena Isinbayeva, que conquistou o título mundial, chegou a dizer que os russos são "normais" por rejeitarem a homossexualidade. Diante da repercussão negativa, ela disse que foi mal-interpretada.

Isinbayeva disse também que duas competidoras suecas que pintaram as unhas com as cores do arco-íris, em apoio ao movimento LGBT, haviam sido desrespeitosas com seus anfitriões.

Ryzhova disse que a comemoração polêmica ocorreu em um momento de euforia, após a apertada vitória contra os EUA na final de sábado.

"Fazia oito anos que não ganhávamos a medalha de ouro. Não dá nem para imaginar como foi... quando percebemos que havíamos vencido", afirmou. "Foi uma onda de sentimentos incríveis, e de alguma forma, completamente por acaso, enquanto nos cumprimentávamos nossos lábios se tocaram... Quem fantasia a respeito disso é doente."

Gushchina e Ryzhova não quiseram comentar a lei, alegando que os preparativos para o Mundial não deixaram tempo para pensar a respeito. "Não ouvi falar nem li a respeito por causa do Mundial", disse Gushchina a jornalistas.

Críticos de Putin dizem que a lei é parte de uma série de medidas repressivas adotadas no primeiro ano do seu terceiro mandato presidencial, com a intenção de sufocar qualquer dissidência. O presidente nega ser repressivo, e diz que a Rússia precisa de ordem e disciplina.

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