Após Brasil, Valcke sugere que países aprovem interesse por Copa no Congresso

quarta-feira, 21 de agosto de 2013 19:34 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 21 Ago (Reuters) - Os países interessados em organizar a Copa do Mundo deveriam primeiro obter aprovação parlamentar para confirmar a intenção de receber a competição, depois das dificuldades enfrentadas com autoridades no Brasil, afirmou o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, nesta quarta-feira.

Valcke ressaltou que essa é somente uma opinião pessoal e que ainda não foi discutida com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, mas afirmou que é uma lição que aprendeu com a conturbada organização do Mundial de 2014 no Brasil, em que a Fifa se viu diversas vezes em lados apostos ao governo brasileiro.

Além das disputas com autoridades, em especial na prolongada discussão para aprovar a Lei Geral da Copa, a Fifa tornou-se alvo dos protestos realizados em diversas cidades durante a Copa das Confederações, em junho, em que os gastos com os eventos esportivos foram questionados por manifestações cobrando "hospital e escola padrão Fifa".

"Antes de a proposta do Brasil ter sido enviada à Fifa, eles poderiam ter votado, e isso talvez é o que seja feito no futuro, no Congresso", disse Valcke a jornalistas, quando perguntado sobre as lições aprendidas com a experiência vivida no Brasil.

"Seria um apoio nacional em vez de apenas uma proposta enviada por uma federação com as garantias governamentais", acrescentou. "Você teria ao menos o apoio oficial da maioria dos partidos políticos, que são a representação da população do país", afirmou o dirigente, adiantando que o processo só seria incluído para a escolha da Copa do Mundo de 2026. A Copa de 2018 será na Rússia, e a de 2022 será no Catar.

O Brasil foi escolhido sede do Mundial de 2014 em 2007, quando foi candidato único da América do Sul no agora extinto sistema de rodízios de continentes. A candidatura foi organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), contendo as garantias governamentais exigidas pela Fifa de qualquer país interessado.

Apesar de o Brasil ter dado as garantias, assinadas pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diversos aspectos foram questionados durante a tramitação no Congresso da Lei Geral da Copa - por exemplo, a polêmica liberação para venda de cerveja nos estádios, que é proibida no país mas era um compromisso assumido com a entidade.

Em outro incidente contrapondo a Fifa às autoridades brasileiras, a Procuradoria-Geral da República encaminhou na semana passada ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação questionando uma lei que concedeu benefícios fiscais à Fifa, mais uma garantia oferecida pelo governo na proposta de candidatura.   Continuação...

 
O secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, visita arena em São Paulo. Os países interessados em organizar a Copa do Mundo deveriam primeiro obter aprovação parlamentar para confirmar a intenção de receber a competição, depois das dificuldades enfrentadas com autoridades no Brasil, afirmou Valcke. 19/08/2013 REUTERS/Paulo Whitaker