21 de Agosto de 2013 / às 20:44 / 4 anos atrás

Após Brasil, Valcke sugere que países aprovem interesse por Copa no Congresso

O secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, visita arena em São Paulo. Os países interessados em organizar a Copa do Mundo deveriam primeiro obter aprovação parlamentar para confirmar a intenção de receber a competição, depois das dificuldades enfrentadas com autoridades no Brasil, afirmou Valcke. 19/08/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 21 Ago (Reuters) - Os países interessados em organizar a Copa do Mundo deveriam primeiro obter aprovação parlamentar para confirmar a intenção de receber a competição, depois das dificuldades enfrentadas com autoridades no Brasil, afirmou o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, nesta quarta-feira.

Valcke ressaltou que essa é somente uma opinião pessoal e que ainda não foi discutida com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, mas afirmou que é uma lição que aprendeu com a conturbada organização do Mundial de 2014 no Brasil, em que a Fifa se viu diversas vezes em lados apostos ao governo brasileiro.

Além das disputas com autoridades, em especial na prolongada discussão para aprovar a Lei Geral da Copa, a Fifa tornou-se alvo dos protestos realizados em diversas cidades durante a Copa das Confederações, em junho, em que os gastos com os eventos esportivos foram questionados por manifestações cobrando “hospital e escola padrão Fifa”.

“Antes de a proposta do Brasil ter sido enviada à Fifa, eles poderiam ter votado, e isso talvez é o que seja feito no futuro, no Congresso”, disse Valcke a jornalistas, quando perguntado sobre as lições aprendidas com a experiência vivida no Brasil.

“Seria um apoio nacional em vez de apenas uma proposta enviada por uma federação com as garantias governamentais”, acrescentou. “Você teria ao menos o apoio oficial da maioria dos partidos políticos, que são a representação da população do país”, afirmou o dirigente, adiantando que o processo só seria incluído para a escolha da Copa do Mundo de 2026. A Copa de 2018 será na Rússia, e a de 2022 será no Catar.

O Brasil foi escolhido sede do Mundial de 2014 em 2007, quando foi candidato único da América do Sul no agora extinto sistema de rodízios de continentes. A candidatura foi organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), contendo as garantias governamentais exigidas pela Fifa de qualquer país interessado.

Apesar de o Brasil ter dado as garantias, assinadas pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diversos aspectos foram questionados durante a tramitação no Congresso da Lei Geral da Copa - por exemplo, a polêmica liberação para venda de cerveja nos estádios, que é proibida no país mas era um compromisso assumido com a entidade.

Em outro incidente contrapondo a Fifa às autoridades brasileiras, a Procuradoria-Geral da República encaminhou na semana passada ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação questionando uma lei que concedeu benefícios fiscais à Fifa, mais uma garantia oferecida pelo governo na proposta de candidatura.

Valcke preferiu não comentar a ação judicial, mas reiterou que foi o Brasil quem buscou a Fifa solicitando organizar a Copa do Mundo e que aceitou as exigências. “E seis anos depois, a um ano da Copa do Mundo, a pessoa diz que são exigências demais. Não pode ser assim”, afirmou.

O dirigente disse, no entanto, que não considera que exista falta de apoio popular à realização do Mundial no Brasil, e afirmou que os protestos de junho na verdade utilizaram a Fifa apenas como plataforma para ganhar exposição.

Segundo ele, o apoio ao Mundial foi refletido no grande número de torcedores presentes nos jogos da Copa das Confederações, em junho, que tiveram recorde de público na história da competição.

“O Brasil ama o futebol e apoia o futebol. Se me perguntarem se vai haver protestos, acho que vai haver. O que sei é que a Copa do Mundo é uma plataforma para manifestações, mas a maioria dos brasileiros vai se juntar às ‘fan fests’ e aos eventos públicos de exibição”, disse.

“Se tivermos o mesmo sucesso da Copa das Confederações multiplicado pelo que a Copa do Mundo representa, será uma grande Copa do Mundo.”

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below