2 de Setembro de 2013 / às 23:24 / 4 anos atrás

COI faz cobrança ao Rio por "prazos apertados"; aponta Deodoro como preocupação

A marroquina Nawal El Moutawakel, do COI, conversa com Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê organizador dos Jogos do Rio-2016, durante entrevista nesta segunda-feira.Ricardo Moraes

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 2 Set (Reuters) - Os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2016 estão com prazos bastante apertados para a Olimpíada, o que já inviabiliza a realização de alguns eventos-teste de federações internacionais, alertou nesta segunda-feira o Comitê Olímpico Internacional (COI), que colocou como "grande preocupação" o complexo esportivo de Deodoro, que ainda não saiu do papel.

A chefe da comissão de coordenação do COI para a Olimpíada do Rio, Nawal El Moutawakel, disse que a equipe deixa a cidade "feliz" com o trabalho feito pelo Brasil, após a quinta visita de inspeção ao Rio, mas o comitê deixou claro que há problemas não resolvidos e fez uma cobrança aos organizadores para acelerar o ritmo dos preparativos.

"Podemos dizer que muito trabalho foi feito desde que estivemos aqui em fevereiro de 2013. Uma grande quantidade de trabalho, no entanto, ainda precisa ser feita, e alguns prazos ainda estão realmente muito apertados", disse a marroquina Nawal em entrevista coletiva após visita de dois dias à cidade.

"O Rio precisa se focar nas prioridades, como completar a Matriz de Responsabilidade e também entregar as instalações esportivas e a infraestrutura necessária para os Jogos Olímpicos de 2016", acrescentou. A Matriz de Responsabilidade é o documento que determina os prazos e valores de todas as obras dos Jogos Olímpicos, que até hoje não tiveram o orçamento anunciado.

Desde que escolheu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, o COI vinha mantendo um discurso de confiança na capacidade das autoridades brasileiras em entregar um evento de sucesso. O tom otimista muitas vezes entrava em contradição com as críticas feitas pela Fifa com relação aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014.

A partir de visita realizada em junho de 2012, no entanto, o COI passou a fazer um alerta quanto aos prazos e a cobrar o início das obras, principalmente no que se refere às instalações esportivas, uma vez que muitos projetos de infraestrutura estão em andamento.

O ponto de maior preocupação é o complexo esportivo de Deodoro, cujas obras ainda não saíram do papel. As obras do local, que deve receber nove modalidades em 2016, entre elas as provas de pentatlo, hipismo, tiro e hóquei na grama, inicialmente seriam de responsabilidade do governo federal, mas depois passaram para o Estado e agora estão a cargo da prefeitura.

"Nas instalações esportivas, a grande preocupação é Deodoro", reconheceu o diretor-executivo do COI, Gilbert Felli.

Segundo ele, a falta de um cronograma estabelecendo quando as obras no local ficarão prontas representa problemas para diferentes áreas envolvidas na realização dos Jogos Olímpicos, desde as federação internacionais às emissoras de TV que vão transmitir a Olimpíada.

"TARDE DEMAIS"

Em alguns casos, já não será possível realizar evento-teste das federações internacionais nos locais das provas olímpicas porque os calendários de competições precisam ser fechados com antecedência, acrescentou o dirigente.

"As federações internacionais querem saber quando as instalações estarão prontas para saber quando podem realizar eventos-teste. Para alguns esportes, já é tarde demais hoje para realizar eventos até 2015", disse Felli.

O dirigente também citou como preocupação a definição do local para a disputa do pólo aquático, que ainda não tem uma sede. O Parque Aquático Julio Delamare, que não será mais demolido como parte da reforma do Maracanã, é o destino provável, mas ainda falta um acerto entre os organizadores e a Federação Internacional de Esportes Aquáticos.

Nas obras de infraestrutura, o COI ressaltou uma preocupação com as obras da Linha 4 do metrô, que estão previstas para serem concluídas no início de 2016, a poucos meses dos Jogos Olímpicos. Uma vez que a Linha 4 fará a ligação das outras regiões da cidade com a Barra da Tijuca, que concentra a maioria das instalações dos Jogos, ele pediu que as autoridades tenham um plano de contingência caso haja algum problema com o metrô.

Felli ponderou, no entanto, que ainda há tempo para a preparação bem-sucedida dos Jogos Olímpicos.

"Hoje nós acreditamos que se mantiverem o ritmo e os prazos propostos, eles podem fazer, mas nós temos de monitorar bem de perto com o comitê organizador e as autoridades locais", afirmou o dirigente.

As preocupações do COI já haviam sido reveladas por um documento interno da entidade que fez um alerta sobre o ritmo das obras e definições de instalações. O relatório, divulgado no fim de semana pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostra que -- numa escala de cores, em que vermelho é preocupante, amarelo significa alerta, e verde que a obra está em dia - alguns equipamentos para 2016 estariam em situação de risco.

O COI subestimou o relatório, que foi descrito como um documento de monitoramente de risco, com status que podem mudar diariamente. Mais cedo nesta segunda-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, também havia relativizado as informações contidas no relatório.

O comitê também minimizou a importância da Autoridade Pública Olímpica, que tem o cargo de presidente vago desde a saída de Marcio Fortes, no mês passado. Segundo Felli, é importante para o COI o comprometimento público com a organização dos Jogos, independentemente da estrutura montada pelo país-sede.

"Nós precisamos de apoio das autoridades, é essencial. Você não pode realizar os Jogos sem o apoio das autoridades, mas o COI não pede um jeito específico de autoridade, fica a cargo de quem está organizando", afirmou.

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