COI faz cobrança ao Rio por "prazos apertados"; aponta Deodoro como preocupação

segunda-feira, 2 de setembro de 2013 20:28 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 2 Set (Reuters) - Os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2016 estão com prazos bastante apertados para a Olimpíada, o que já inviabiliza a realização de alguns eventos-teste de federações internacionais, alertou nesta segunda-feira o Comitê Olímpico Internacional (COI), que colocou como "grande preocupação" o complexo esportivo de Deodoro, que ainda não saiu do papel.

A chefe da comissão de coordenação do COI para a Olimpíada do Rio, Nawal El Moutawakel, disse que a equipe deixa a cidade "feliz" com o trabalho feito pelo Brasil, após a quinta visita de inspeção ao Rio, mas o comitê deixou claro que há problemas não resolvidos e fez uma cobrança aos organizadores para acelerar o ritmo dos preparativos.

"Podemos dizer que muito trabalho foi feito desde que estivemos aqui em fevereiro de 2013. Uma grande quantidade de trabalho, no entanto, ainda precisa ser feita, e alguns prazos ainda estão realmente muito apertados", disse a marroquina Nawal em entrevista coletiva após visita de dois dias à cidade.

"O Rio precisa se focar nas prioridades, como completar a Matriz de Responsabilidade e também entregar as instalações esportivas e a infraestrutura necessária para os Jogos Olímpicos de 2016", acrescentou. A Matriz de Responsabilidade é o documento que determina os prazos e valores de todas as obras dos Jogos Olímpicos, que até hoje não tiveram o orçamento anunciado.

Desde que escolheu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, o COI vinha mantendo um discurso de confiança na capacidade das autoridades brasileiras em entregar um evento de sucesso. O tom otimista muitas vezes entrava em contradição com as críticas feitas pela Fifa com relação aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014.

A partir de visita realizada em junho de 2012, no entanto, o COI passou a fazer um alerta quanto aos prazos e a cobrar o início das obras, principalmente no que se refere às instalações esportivas, uma vez que muitos projetos de infraestrutura estão em andamento.

O ponto de maior preocupação é o complexo esportivo de Deodoro, cujas obras ainda não saíram do papel. As obras do local, que deve receber nove modalidades em 2016, entre elas as provas de pentatlo, hipismo, tiro e hóquei na grama, inicialmente seriam de responsabilidade do governo federal, mas depois passaram para o Estado e agora estão a cargo da prefeitura.

"Nas instalações esportivas, a grande preocupação é Deodoro", reconheceu o diretor-executivo do COI, Gilbert Felli.   Continuação...

 
A marroquina Nawal El Moutawakel, do COI, conversa com Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê organizador dos Jogos do Rio-2016, durante entrevista nesta segunda-feira. REUTERS/Ricardo Moraes