September 3, 2013 / 2:10 PM / 4 years ago

Na reta final, disputa por Olimpíada de 2020 tem briga acirrada

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Logotipo da campanha de Tóquio para sediar as Olimpíadas de 2020 é visto entre cerejeiras em um hotel no Japão. Istambul, Madri e Tóquio participam no próximo sábado, em Buenos Aires, de uma votação do Comitê Olímpico Internacional (COI) que definirá qual cidade receberá o maior e mais caro evento poliesportivo do mundo. 07/03/2013Yuya Shino

Por Karolos Grohmann

3 Set (Reuters) - Após dois anos de campanha e diante de problemas diversos, três cidades chegam praticamente empatadas à reta final da disputa para sediar a Olimpíada de 2020.

Istambul, Madri e Tóquio participam no próximo sábado, em Buenos Aires, de uma votação do Comitê Olímpico Internacional (COI) que definirá qual cidade receberá o maior e mais caro evento poliesportivo do mundo.

Líderes políticos e celebridades diversas devem ir à Argentina expressar a apoio a suas cidades preferidas, numa disputa que membros do COI dizem estar totalmente em aberto.

"Não é como antes, quando a decisão costumava já estar tomada", disse dias atrás Thomas Bach, vice-presidente e candidato a presidente do COI. "Desta vez, acho que a apresentação (de cada candidatura em Buenos Aires) será muito importante, até crucial."

Há anos as três cidades vêm divulgando seus trunfos para ser a sede da Olimpíada depois do evento de 2016 no Rio de Janeiro.

Istambul promove o fato de poder realizar uma Olimpíada bicontinental, já que a metrópole turca se divide entre uma parte europeia e outra asiática. Além disso, a Turquia, com uma economia em expansão, espera se tornar o primeiro país de maioria islâmica a realizar os Jogos.

Tóquio, que já recebeu a edição de 1964, apresenta-se como uma opção segura e sólida num mundo em turbulência financeira. Um dos trunfos da candidatura japonesa é reaproveitar instalações já usadas na primeira vez.

A espanhola Madri, candidata pela terceira vez consecutiva, vem salientando o alto percentual de instalações já existentes, e coloca o esporte no coração da sua candidatura.

Mas a escolha, feita por mais de cem integrantes do COI, deve levar em conta fatores não relacionados aos Jogos.

Istambul

Istambul, que tenta pela quinta vez nas últimas seis votações, foi sacudida por violentos protestos contra o governo em junho, o que aplacou o ímpeto que a candidatura vinha registrando.

Os protestos, que chegaram a se espalhar por toda a Turquia, perderam fôlego agora, mas o primeiro-ministro Tayyip Erdogan deve enfrentar questionamentos quando estiver na Argentina para promover Istambul.

A escalada da guerra civil na vizinha Síria e temores de que o conflito contamine toda a região também pesam contra a candidatura turca, num momento em que os EUA cogitam uma intervenção militar contra o regime sírio.

Representantes da candidatura turca e o próprio COI minimizam esses temores, dizendo que a Turquia é capaz de lidar bem com a questão da segurança, e que os protestos populares já foram aplacados. Os turcos também argumentam que a fronteira com a Síria fica muito distante de Istambul.

Outro empecilho para a candidatura turca são os vários casos recentes de doping entre seus atletas. Mas Hasan Arat, chefe da candidatura de Istambul, disse à Reuters neste mês que é possível ver esses fatores sob um ângulo positivo. "Os protestos na Turquia acabaram. Não há mais nenhum problema, esse não é um problema fundamental para a Turquia. Quanto ao doping, estamos limpando, há tolerância zero. Esta é uma mensagem muito clara para o uso de doping na Turquia."

Madri

A Espanha vive uma intermitente recessão desde o estouro da sua bolha imobiliária, em 2008. O desemprego está em torno de 27 por cento, e as perspectivas são de que a crise econômica se prolongue por pelo menos mais um ano.

Também há problemas políticos. O premiê Mariano Rajoy admitiu um escândalo de corrupção que abalou a autoridade do seu Partido Popular e prejudicou a imagem do país no exterior.

Rajoy está depondo sobre seu envolvimento nas suspeitas de que o PP tenha cobrado milhões de euros em doações que foram depois distribuídas a dirigentes políticos, inclusive o próprio premiê.

Os representantes da candidatura madrilenha devem argumentar em Buenos Aires que o escândalo não terá influência sobre um evento que só vai acontecer daqui a sete anos.

tóquio

Tóquio, que assim como Madri perdeu para o Rio na disputa para ser sede em 2016, se apresenta como a opção mais segura e é vista por alguns como ligeiramente favorita. Mas o acidente nuclear de 2011 na usina de Fukushima, ao norte da capital, continua presente no noticiário.

Água altamente radiativa segue sendo derramada no mar, e o governo elevou recentemente o nível de gravidade dos últimos vazamentos. Notícias desse tipo em nada contribuem para a candidatura japonesa.

"Quanto a receber os jogos, a situação em Fukushima não afetará Tóquio", disse Naoki Inose, governador a capital, no mês passado.

Mas o atual vazamento de água contaminada é o quinto e o pior desde o desastre de 2011, motivado por um tsunami, e é difícil prever como a situação irá se desenrolar nos próximos anos.

Um relatório do COI divulgado em junho ofereceu poucas pistas sobre possíveis favoritos. As três candidaturas foram consideradas de "alta qualidade".

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