4 de Setembro de 2013 / às 22:41 / 4 anos atrás

Maradona e Romário criticam Conmebol e pedem transparência

SÃO PAULO, 4 Set (Reuters) - Os ex-jogadores Diego Maradona e Romário fizeram duras críticas à Conmebol nesta quarta-feira, após reunião em São Paulo para debater supostas irregularidades na entidade que comanda o futebol sul-americano e pedir mais transparência no esporte.

Diego Maradona (D) e Romário conversam durante entrevista em São Paulo nesta quarta-feira, quando fizeram críticas à Conmebol. REUTERS/Paulo Whitaker

O encontro na sede do Corinthians teve a presença de cerca de 20 clubes sul-americanos e de advogados uruguaios que, segundo os ex-atletas, mostraram que a Conmebol está deixando de repassar verbas para os clubes filiados.

“Temos visto, com muito estupor e com grande tristeza, que o futebol é para poucos. Não é dos clubes, dos torcedores e dos jogadores. Por isso, vamos armar uma comissão para desmascarar essa gente que faz tanto mal ao futebol”, disse Maradona, ídolo argentino campeão mundial em 1986.

“Isso é muito grave... mas graças a todos nós que não temos medo desta gente, estamos aqui para que a gente tenha um futebol transparente”, completou.

O deputado federal Romário (sem partido-RJ) classificou a Conmebol de corrupta. A entidade trocou de presidente este ano: o uruguaio Eugenio Figueredo substituiu o paraguaio Nicolás Leoz, que passou quase 27 anos no cargo.

“Eu não imaginava que existisse uma instituição mais corrupta do que a Fifa e a CBF. Consegui encontrar. Realmente a coisa é muito pior do que a gente imagina”, afirmou Romário em entrevista coletiva.

“O que foi apresentado aqui é uma das maiores vergonhas que eu pude ver. Eu não poderia imaginar que existisse uma instituição tão corrupta, tão desonesta e que fizesse tão mal ao esporte”, completou.

Procurado pela Reuters, o porta-voz da Conmebol, Néstor Benítez, evitou comentar profundamente as acusações. “Não temos nenhum comentário (sobre a reunião em São Paulo). Todos têm direito a opinar, o futebol é generoso e abre o campo para todas as opiniões”.

O encontro contou também com outros ex-jogadores, como o paraguaio José Luis Chilavert e o brasileiro Careca.

O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, provável candidato a presidente da CBF no ano que vem, disse que o movimento contra as irregularidades na Conmebol começou no Uruguai e agora conta com 20 clubes de vários países.

“Temos que tentar mais gente, vamos buscar. Dentro da Conmebol quem tem que ir lá brigar são os clubes, os ex-atletas e os atuais atletas. É um movimento por transparência e dignidade no futebol”, explicou.

A reunião não teve a participação de clubes argentinos, o que foi criticado por Maradona. “Se querem ser cúmplices do roubo que estão fazendo na Conmebol é um problema deles”, disse.

“Vamos ver agora, com a comissão que vamos fazer entre dirigentes e jogadores, onde está todo esse dinheiro”, acrescentou.

O uruguaio Figueredo, de 81 anos, era vice-presidente da Conmebol desde 1993 e foi nomeado presidente em abril como sucessor automático de Leoz, que renunciou aos 84 anos alegando motivos de saúde. Um relatório do comitê de ética da Fifa revelou que Leoz havia recebido subornos da falida empresa de marketing ISL.

Por Tatiana Ramil, com reportagem da Reuters TV, e Daniela Desantis, em Assunção

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