14 de Outubro de 2013 / às 12:15 / 4 anos atrás

Síria espera que futebol ajude povo a enfrentar guerra civil

Jogadores da Síria posam para foto com troféu após vencer a final da Copa da Ásia Ocidental contra o Iraque, na Cidade do Kuweit. Traumatizada pelos dois anos e meio de guerra civil no país, a seleção de futebol da Síria espera dar algum motivo de alegria aos compatriotas. A Síria, que em dezembro conquistou seu primeiro título internacional, a Copa da Ásia Ocidental, derrotando o Iraque na final, enfrenta Cingapura na terça-feira pelas eliminatórias da Copa Asiática, que será disputada em 2015 na Austrália. 20/12/2012.Tariq AlAli

Por Patrick Johnston

CINGAPURA, 14 Out (Reuters) - Traumatizada pelos dois anos e meio de guerra civil no país, a seleção de futebol da Síria espera dar algum motivo de alegria aos compatriotas.

A Síria, que em dezembro conquistou seu primeiro título internacional, a Copa da Ásia Ocidental, derrotando o Iraque na final, enfrenta Cingapura na terça-feira pelas eliminatórias da Copa Asiática, que será disputada em 2015 na Austrália.

Numa entrevista coletiva nesta segunda-feira, os jornalistas deixaram em segundo plano as perguntas sobre táticas e contusões, preferindo focar o conflito que já deixou mais de 100 mil mortos e 2,1 milhões de refugiados.

"Ninguém fica dizendo isso, mas mentalmente a gente está afetado", disse o atacante Sanhareb Malki, capitão do time, a jornalistas em Cingapura.

"Quando você sabe que um amigo ou familiar morre --pois é, alguns familiares dos jogadores já morreram-- então é realmente difícil, claro. (Os jogadores) conversam, olham o noticiário... Então todo dia escutamos, tiros e coisas assim - é normal agora no país."

Malki foi ainda jovem para a Europa, onde atuou na Holanda, Grécia e Bélgica. Ele hoje joga no clube turco Kasimpasa.

A família dele também deixou a Síria. Alguns parentes foram para a Turquia, e os demais, como 540 mil refugiados sírios, fugiram para a Jordânia, que também está no grupo da Síria nas eliminatórias, junto com Omã.

Malki disse que esteve pela última vez na Síria em janeiro de 2011, quando o time se reuniu antes de viajar para o Catar, onde disputou a última Copa Asiática. Dois meses depois, começaram protestos pacíficos contra o presidente Bashar al-Assad, os quais foram duramente reprimidos pelas forças de segurança, dando início à guerra civil.

Apesar da ausência, Malki disse que continua em contato com seus compatriotas via redes sociais, e afirmou que uma vitória sobre Cingapura é o mínimo que o povo sírio merece.

"Muitos fãs estão tentando nos dar apoio porque todos na Síria amam o futebol. Eles nos seguem no Facebook, Twitter, esse tipo de coisa. Eles nos mandam mensagens para incentivar o time", afirmou o atacante, de 29 anos. "Para esse tipo de gente, vamos dar tudo, vamos lutar."

Mas o caminho para a Síria não é fácil. O time está apenas em 143º lugar no ranking da Fifa, e por causa da guerra civil a seleção tem mandado seus jogos no Irã, onde Malik disse que apenas cem pessoas assistiram ao empate contra a Jordânia na rodada passada, depois de a Síria perder o jogo de abertura em Omã.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below