Chance de disputar Copa no Brasil une a população da Bósnia

terça-feira, 15 de outubro de 2013 10:38 BRT
 

Por Daria Sito-Sucic

SARAJEVO, 14 Out (Reuters) - As divisões étnicas ficarão em segundo plano na terça-feira, quando a população da Bósnia-Herzegovina se unirá em torno da expectativa de classificação da seleção nacional para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Após bater na trave várias vezes, a Bósnia poderá finalmente realizar esse sonho na última rodada da fase de grupos das eliminatórias europeias, contra a Lituânia, fora de casa.

Cerca de 4.000 torcedores devem viajar a Kaunas para assistir à partida, e milhares de bósnios devem acompanhar o jogo num telão em Sarajevo, onde também está programada a festa caso a classificação se confirme.

Para garantir vaga entre as 32 seleções que disputarão a Copa no Brasil, os bósnios precisam preservar sua vantagem sobre a Grécia no saldo de gols, e conseguir contra a Lituânia um resultado pelo menos igual ao dos gregos, que enfrentam o lanterna Liechtenstein.

Bósnia e Grécia estão empatados no Grupo G com 22 pontos, mas a Bósnia tem saldo de 23 gols, contra apenas 6 da Grécia. O primeiro colocado no grupo se classifica automaticamente para a Copa, e o segundo lugar terá a chance de disputar uma repescagem, dependendo da sua pontuação.

A Bósnia ficou independente durante a guerra civil que esfacelou a Iugoslávia, entre 1992 e 1995, e o país ainda sofre divisões étnicas, instabilidade política e dificuldades econômicas.

"Já vimos que a seleção nacional unificou o povo, e que eles não se importam com a etnia, porque estão orgulhosos de serem bósnios e herzegovinos", disse à Reuters a administradora de empresas muçulmana Mela Softic, de 29 anos, moradora de Sarajevo.

"O sucesso da seleção nacional pode ser um fator unificador, e já estou pensando em de onde vou tirar dinheiro para viajar ao Brasil no ano que vem."

O time também tem tido o apoio dos bósnios de origem étnica sérvia e croata, que normalmente torcem para a Sérvia ou para a Croácia nas competições internacionais.

Dragan Soldo, advogado desempregado de origem croata, disse que "esta é a única coisa positiva que está acontecendo aqui, e mostra um quadro diferente sobre nós para o mundo exterior, que os políticos não são o termômetro do que queremos ser".