27 de Novembro de 2013 / às 19:48 / 4 anos atrás

Morre Nilton Santos, a "Enciclopédia do Futebol", aos 88 anos

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 27 Nov (Reuters) - Nilton Santos, lateral-esquerdo que disputou quatro Copas do Mundo pela seleção brasileira, com dois títulos mundiais conquistados (1958 e 1962), morreu nesta quarta-feira, aos 88 anos, informou o Botafogo, único clube defendido pelo jogador em toda a carreira.

"Hoje é um dia de grande tristeza para o futebol brasileiro, dia em que perdemos o melhor lateral-esquerdo da história do futebol", disse o tetracampeão mundial Mário Jorge Zagallo, emocionado, em entrevista à Reuters por telefone.

"Tive o prazer de conviver com ele durante grande parte da minha carreira no Botafogo e na seleção brasileira, inclusive conquistando títulos, e aprendi muito jogando ao lado dele."

Nascido em maio de 1925 no bairro carioca da Ilha do Governador, o ex-jogador foi internado com insuficiência respiratória no dia 23 de novembro, no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), de um hospital do Rio de Janeiro. Ele sofria da doença de Alzheimer e passou os últimos anos em uma clínica para idosos, com auxílio do Botafogo.

Segundo o boletim médico, Nilton morreu "em decorrência de pneumonia comunitária, tendo comorbidades a doença de Alzheimer e a insuficiência cardíaca grave".

Nilton Santos ganhou o apelido de "Enciclopédia de Futebol" pelo talento e a capacidade de encantar o torcedor adquiridos ao longo da carreira. Jogou por apenas um clube, o Botafogo, onde disputou 723 partidas de 1948 a 1964. Além da camisa alvinegra, só vestiu mais um uniforme no futebol profissional, o da seleção brasileira, com 84 jogos disputados. Disputou os Mundiais de 1950, 1954, 1958, e 1962.

Em 1998, foi incluído pela Fifa numa seleção dos melhores jogadores de todos os tempos.

Jogando numa época em que os laterais eram basicamente defensores, Nilton Santos abriu caminho para os laterais atacarem. Marcou inclusive um gol pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1958, contra a Áustria.

Outra jogada que entrou para a história do futebol protagonizada por Nilton Santos aconteceu na Copa do Mundo de 1962, desta vez não pelo talento, mas pela inteligência. Após cometer falta dentro da área em um jogador da Espanha, Nilton deu um passo à frente para sair da área, o que levou o juiz a marcar falta, em vez de pênalti.

Nilton também fez história no futebol brasileiro fora das quatro linhas. Já consagrado, teve de enfrentar em um treino do Botafogo um jovem desconhecido e malvisto por ter as pernas tortas. A dificuldade para marcar Mané Garrincha naquela atividade levou o lateral a convencer o Botafogo a contratar o homem que viria a ser o maior nome da história do clube.

Depois de encerrar a carreira, Nilton chegou a fazer parte da cúpula do futebol do Botafogo, mas a carreira como dirigente chegou ao fim quando agrediu com um soco o então árbitro Armando Marques, após uma partida no Maracanã, em 1971.

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