December 3, 2013 / 6:13 PM / in 4 years

No sorteio, torcida para fugir do "grupo da morte" e das viagens longas

6 Min, DE LEITURA

Passageiro checa seu voo no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, em 22 de novembro. Durante a Copa do Mundo, torcedores de vários países vão viajar pelo Brasil para assistir aos jogos.Ricardo Moraes

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 3 Dez (Reuters) - Torcedores dos 31 países que virão ao Brasil para a Copa do Mundo devem cruzar os dedos no sorteio das chaves do Mundial para evitar o "grupo da morte", mas também as longas distâncias, de olho no custo da peregrinação para acompanhar suas seleções em viagens pelo imenso Brasil.

Com a conclusão das eliminatórias por todo o mundo, o sorteio do dia 6 de dezembro, na Costa do Sauípe (BA), definirá os quatro integrantes das oitos chaves do Mundial, e vai também desenhar o caminho que cada time terá pela frente em busca da sonhada final no Maracanã.

Por enquanto só o Brasil, pré-classificado como país-sede, já sabe onde jogará na primeira fase (São Paulo, Fortaleza e Brasília). Outras seleções aguardam para saber se terão de viajar de Curitiba a Manaus ou de Cuiabá a Porto Alegre.

Apesar da dimensão continental do país, a tabela do Mundial não dividiu os grupos por regiões, com o objetivo de levar as seleções às diferentes cidades-sedes. No entanto, a estratégia resultou em viagens bem mais longas do que no último Mundial, na África do Sul.

A dificuldade será ainda maior para os torcedores que, ao contrário das seleções, não têm direito a voos fretados e dependerão da malha aérea nacional, com preços inflacionados durante o Mundial.

Supondo, por exemplo, que a França seja sorteada como adversária do Brasil no Grupo A, ocupando a posição A2, um torcedor que embarcar em Paris para assistir aos três jogos do time na primeira fase e retornar em seguida à capital francesa terá que enfrentar quase 40 horas de avião, passando por São Paulo, Manaus e Recife. Sem contar a espera na fila da imigração, do embarque, da esteira da bagagem e do táxi.

Apenas para o trecho nacional, são quase 15 horas de voo, com duas escalas, ao custo de 3.400 reais (em valores desta semana), quase 2.000 reais mais caro do que a mesma viagem em março de 2014.

O time que for sorteado na posição E4 jogará em Curitiba no dia 20 de junho e apenas cinco dias depois encerra a participação na primeira fase em Manaus. Um torcedor que quiser acompanhar a equipe no trajeto, teria de encarar seis horas de viagem, com uma escala, pagando no mínimo 1.000 reais só de ida, de acordo com a disponibilidade da malha atual. A mesma viagem três meses antes da Copa sairia por 610 reais.

Enquanto na África do Sul a viagem mais longa, da Cidade do Cabo a Polokwane, tinha quatro horas de duração, e a maioria dos voos entre as cidades-sede levava no máximo duas horas e meia, no Brasil torcedores certamente gostariam de evitar o trajeto de Manaus a Recife, Natal a Manaus ou Belo Horizonte a Natal, todos com mais de 5 horas de viagem, segundo levantamento feito com base na atual disponibilidade de voos para o período da Copa.

Diante da situação de saturação dos aeroportos no país e de trânsito ruim nas cidades, viagens como essas, na prática, podem consumir a maior parte do dia.

"A situação dos aeroportos no Brasil é crítica. Os 12 projetos de aeroportos começaram muito tarde, nenhuma cidade da Copa terá seu aeroporto pronto para a Copa do Mundo. As pessoas serão recebidas em canteiros de obra", afirmou Christopher Gaffney, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), e especialista em planejamento urbano para megaeventos.

técnicos Reclamam; Fifa Cobra solução

Mesmo os aeroportos do Galeão (RJ) e Confins (MG), concedidos à iniciativa privada no mês passado, não devem contar com as melhorias a tempo da Copa do Mundo, já que os consórcios vencedores só assumirão os terminais em março, três meses antes do início do Mundial.

"No Rio de Janeiro, você pode esperar até 3 horas no controle de passaporte porque as reformas que foram feitas na imigração não foram suficientes. Esse é um problema que vai fazer as pessoas verem que o Brasil está 25 anos atrasado e começou muito tarde a fazer as reformas", acrescentou.

Técnicos importantes do cenário mundial, como o italiano Fábio Capello, treinador da Rússia, reclamaram das longas viagens que os times terão de enfrentar no Brasil.

"(Espero) muitos problemas, grandes problemas com o transporte. Vamos precisar viajar muito", disse Capello quando perguntado em outubro sobre a expectativa para o Mundial no Brasil. "Eu não sei como eles decidiram que você joga no norte e depois joga no sul poucos dias depois."

A Fifa já cobrou do governo brasileiro que tome medidas para ampliar a oferta de voos diretos entre as cidades-sede durante a Copa, e uma das alternativas é abrir o mercado para empresas aéreas estrangeiras que atualmente operam voos internacionais para o país.

Em entrevista à Reuters, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, disse que deve ser criada uma malha especial durante a Copa para suprir as necessidades dos torcedores. Segundo ele, os acertos serão feitos após o sorteio das chaves.

O Comitê Organizador Local do Mundial reconhece que "não é fácil trabalhar em um país continental, com distâncias continentais", mas disse que foram tomadas medidas para reduzir os impactos negativos, como dar um dia a mais de descanso para os times que farão longas viagens.

"O intuito nosso e do governo brasileiro é a Copa do Mundo em 12 cidades, queremos mostrar o Amazonas, a Fifa quer mostrar também o Brasil como o Pantanal, como o Amazonas, como as cidades do Nordeste com praias lindas", explicou o CEO do COL, Ricardo Trade.

Reportagem adicional da Reuters TV, no Rio de Janeiro; e Mark Gleeson, na Cidade do Cabo

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