Relatório sobre tráfego aéreo caótico na Copa contradiz governo

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013 20:46 BRST
 

Por Brian Winter

BRASÍLIA, 6 Dez (Reuters) - O Brasil insiste que seus aeroportos estarão prontos para receber até 600.000 visitantes estrangeiros durante a Copa do Mundo do ano que vem, mas um relatório interno diz que provavelmente haverá grave superlotação e longos atrasos nos voos, com o tráfego de passageiros excedendo a capacidade em até 50 por cento, mesmo que amplas reformas sejam concluídas no prazo.

O relatório, preparado pelo Ministério do Esporte com a ajuda de consultorias externas, é datado de março de 2011. A Reuters recentemente reavaliou o relatório na íntegra, incluindo suas previsões sobre tráfego aéreo, que o governo nunca tornou públicas.

"A situação nos aeroportos é crítica, considerando a atual saturação vista no setor", constava do relatório. "Alguns aeroportos estão precisando de soluções urgentes."

Autoridades do alto escalão do governo da presidente Dilma Rousseff dizem que os prognósticos contidos no relatório de 2011 estão agora superados, graças em parte a grandes reformas em andamento em aeroportos em todas as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo.

Em uma entrevista, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, rebateu as previsões sombrias, dizendo que os aeroportos terão capacidade "mais do que suficiente" para conduzir a Copa do Mundo, que começa em 12 de junho com o jogo Brasil x Croácia, em São Paulo.

No entanto, três fontes a par da metodologia e das implicações do estudo de 2011 dizem que os prognósticos ainda são válidos, mesmo com as melhorias planejadas.

Se elas estiverem corretas, milhares de fãs de futebol em visita ao país poderão enfrentar atrasos nos voos, de horas de duração ─ um grande constrangimento para Dilma num momento em que se prepara para disputar a reeleição, em outubro.

Se as reformas não forem concluídas no prazo ─ uma possibilidade realista, segundo vêm dizendo alguns especialistas ─, então os prognósticos começam a ser muito piores. Nesse cenário, aeroportos enfrentariam provavelmente vários problemas operacionais, diz o relatório.   Continuação...