20 de Dezembro de 2013 / às 13:02 / 4 anos atrás

Investigação de ajuda estatal no futebol não é campanha contra Espanha, diz denunciante

Por Iain Rogers

MADRI, 20 Dez (Reuters) - Um inquérito da Comissão Europeia sobre a possível ajuda estatal ilegal a sete clubes espanhóis de futebol, inclusive Real Madrid e Barcelona, não é parte de uma campanha contra a Espanha, segundo um dos denunciantes.

Loek Jorritsma, ex-assessor do Ministério do Esporte da Holanda, fez em 2010 uma queixa formal sobre uma suposta ajuda ilegal aos clubes na Holanda, e também ao Real Madrid.

Por causa disso, a Comissão Europeia (Poder Executivo da UE) começou em março a investigar cinco clubes holandeses, e além disso iniciou na quarta-feira um inquérito paralelo envolvendo Real, Barça, Athletic Bilbao, Osasuna, Valencia, Elche e Hércules.

A reação foi furiosa, com acusações de que os queixosos teriam inveja do sucesso do futebol espanhol, atual campeão mundial e europeu.

O presidente do Real, Florentino Pérez, apontou "uma campanha contra o futebol espanhol", e disse que o clube de maior faturamento no mundo não fez nada de errado.

Miguel Cardenal, secretário de Esportes do governo espanhol, queixou-se de "danos à imagem da Espanha".

Jorritsma disse que sua motivação era identificar possíveis casos de ajuda ilegal a clubes profissionais, onde quer que eles acontecessem na Europa.

"É uma campanha em prol do equilíbrio competitivo, contra o jogo sujo e por um nivelamento no campo de jogo, que é perturbado pela ajuda estatal", disse Jorritsma à Reuters.

"Trato os clubes holandeses e todos os clubes europeus do mesmo jeito", disse o ex-funcionário, hoje aposentado, aos 70 anos."Trata-se de ajuda estatal, e são organizações profissionais, como bancos ou qualquer outro empreendimento. Não é cultura, e não há lei que garanta qualquer liberdade para que ameacem o mercado."

Jorritsma não é o único autor de queixas contra os clubes espanhóis, pois a UE disse que um representante de "vários clubes europeus", que não foi identificado, também apresentou uma objeção formal.

Já o holandês rejeitou o anonimato e, por isso, disse ter recebido ameaças de violência física por parte de clubes do seu país.

"Expliquei minhas razões a eles, e no final todos acharam que eu fui muito valente. Por causa da minha origem profissional, sei formular as coisas", disse.

Um dos tópicos que Jorrtisma salientou envolve um negócio imobiliário do Real com a prefeitura de Madri, em 2011, que a Comissão disse que aparentava ser "muito vantajoso" para o clube.

A transação consistiu na reavaliação de um terreno, cujo valor calculado saltou de 595 mil euros em 1998 para 22,7 milhões de euros (31 milhões de dólares).

A investigação da Espanha, que pode durar meses, também examinará se Real, Barça, Bilbao e Osasuna se beneficiaram de um tratamento tributário especial.

Valencia, Elche e Hércules supostamente receberam uma ajuda financeira ilegal por parte de governos regionais, na forma de empréstimos e garantias bancárias.

Todos eles negam irregularidades, e o governo espanhol prometeu lutar para impedir que os clubes sejam forçados a devolver qualquer ajuda que venha a ser considerada ilegal.

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