Atraso dos estádios gera riscos e mais turbulência na preparação da Copa

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013 15:18 BRST
 

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO, 20 Dez (Reuters) - O Brasil demorou em iniciar as obras para a Copa do Mundo e, a pouco menos de seis meses do torneio, seis estádios correm para finalizar suas construções, o que gera mais riscos de acidentes, segundo o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia.

Na avaliação de José Roberto Bernasconi, o país "pegou no tranco" ao começar os trabalhos para o Mundial de 2014 apenas em 2010, três anos depois de receber o direito de sediar o principal torneio de futebol.

A preparação brasileira para a Copa, abalada por atrasos, greves e estouro no orçamento, foi atingida nos últimos dias por mortes de operários que trabalhavam na construção dos estádios de São Paulo e Manaus.

No fim de semana, um trabalhador morreu ao cair da cobertura da Arena da Amazônia, e outro operário morreu em um centro de convenções ao lado do estádio, que será usado para reuniões durante a Copa. Familiares disseram que ele sofreu um ataque cardíaco devido ao trabalho intenso.

A Arena Corinthians, palco da abertura do Mundial em 12 de junho, sofreu um acidente em 27 de novembro, quando um guindaste caiu sobre parte do estádio, matando dois operários.

As investigações sobre as mortes ainda estão em curso, mas após os acidentes questões sobre segurança e horas extras de trabalhadores foram levantadas.

"As obras feitas 24 horas por dia, num regime de urgência, exigem cuidados adicionais. Se as jornadas de trabalho se estendem demais, para além da jornada de trabalho normal, o cansaço compromete a aplicação da atenção", disse Bernasconi em entrevista à Reuters.

"Há uma porção de possibilidades, de causas, que talvez pudessem explicar cada uma dessas ocorrências fatais", acrescentou ele, ressaltando que não tem "acesso às informações das investigações".   Continuação...

 
Operários trabalham na estrutura da cobertura da Arena da Amazônia, em Manaus. O Brasil demorou em iniciar as obras para a Copa do Mundo e, a pouco menos de seis meses do torneio, seis estádios correm para finalizar suas construções, o que gera mais riscos de acidentes, segundo o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia. 10/12/2013. REUTERS/Gary Hershorn