22 de Dezembro de 2013 / às 14:52 / em 4 anos

ANÁLISE-Mundial de Clubes é lembrete do abismo de qualidade no futebol

Franck Ribery, jogador dos alemões do Bayern Munich, beija o troféu ao celebrar a vitória do Mundial de Clubes no último sábado, em Marrakesh, Marrocos. 21/12/2013 REUTERS/Youssef Boudlal

Por Brian Homewood

MARRAKESH, Marrocos, 22 Dez (Reuters) - Para os cerca de 10 mil torcedores do Atlético Mineiro que fizeram a árdua viagem de Belo Horizonte a Marrakesh, o Mundial de Clubes foi a competição mais importante que o time já participou.

Desde que conquistou a Copa Libertadores, em julho, o Atlético e sua torcida sonhavam obsessivamente com uma chance de se medir com o campeão europeu, Bayern de Munique, na final.

Mas o time brasileiro sofreu uma derrota chocante na semifinal para o Raja Casablanca, que por sua vez perdeu de 2 x 0 dos alemães na decisão de sábado.

A partida fez o Marrocos parar. Milhares de torcedores do Raja viajaram para o sul do país, e o rei Mohamed assistiu à partida no estádio em Marrakesh.

Na Europa, o mesmo evento é muitas vezes visto como uma excursão de meio de temporada para jogar com times de nomes exóticos -- visão resumida pelo referência do técnico do Borussia Dortmund, Jürgen Klopp, ao filme “Casablanca”.

“A última vez que ouvi falar em Casablanca foi quando Humphrey Bogart estava atuando”, brincou. “Talvez algum dia (a competição) terá um valor maior”.

Em muitos sentidos, o torneio funciona como um lembrete do abismo entre o futebol europeu, que atrai os melhores jogadores do planeta, e o resto do mundo, que atua como celeiro de talentos.

Clubes europeus como o Bayern de Munique estão repletos de talentos de várias partes do globo, e a maioria de seus reservas joga regularmente por seus respectivos países.

Os melhores jogadores sul-americanos jogam contra times de seu continente, em vez de por eles.

Os clubes sul-americanos e africanos geralmente são compostos de jogadores que não foram bons o suficiente para ir para a Europa, mais alguns que estiveram no exterior e voltaram para casa para encerrar suas carreiras, como Ronaldinho no Atlético.

O Raja Casablanca, time de jogadores medianos da liga local, é um bom exemplo. A seleção marroquina é formada quase inteiramente por jogadores que atuam em clubes do exterior.

BLATTER FRUSTRADO

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, admitiu estar frustrado com a falta de interesse europeu na competição, especialmente por o torneio ter ficado mais perto de casa, depois de ter sido sediado no Japão e nos Emirados Árabes Unidos.

“Concordo que estamos decepcionados”, disse. “Acho que deveria haver um pouco mais de atenção a outras competições, mas com os grandes campeonatos na Europa, existe a questão do calendário”.

“A qualidade das partidas que temos visto, com um futebol muito bom em um clima notável, esta é a melhor publicidade, e a melhor maneira de atrair mais atenção das cinco grandes ligas”, afirmou Blatter.

“É uma questão de solidariedade”, acrescento. “Também deveriam estar interessados nas outras ligas e dar uma olhada no que está acontecendo em outros lugares”.

Infelizmente para Blatter, a final de sábado, na qual o Bayern venceu com tranquilidade, foi uma propaganda fraca, especialmente porque os alemães também tinham passeado em campo na vitória de 3 x 0 sobre o Guangzhou Evergrande na semifinal.

O torneio ainda não produziu uma final realmente memorável desde que começou, em 2005.

Clubes sul-americanos conquistaram três troféus em nove, mas todos foram obtidos por aceitarem seu papel de zebras, fechando suas defesas e fazendo gols suados.

O São Paulo em 2005, o Internacional no ano seguinte e o Corinthians em 2012 venceram a competição por um gol.

O Bayern sinalizou corretamente a importância de vencer, e seus jogadores pareceram repetir linhas pré-ensaiadas quando falaram sobre encarar “adversários diferentes de outros continentes”.

Entretanto Marcello Lippi, técnico do Guangzhou, admitiu haver um fosso entre seu time e o Bayern.

“Você vê a diferença real entre o melhor clube do mundo e o resto”, disse o italiano. “Talvez esta competição fosse mais forte quando era só uma partida entre os campeões da Europa e da América do Sul”.

Mas ele também sublinhou que o Bayern desfrutou de vitórias similarmente fáceis no Campeonato Alemão e na Liga dos Campeões, e que seria injusto excluir times do resto do mundo.

“Não somos só nós. Eles jogam com essa superioridade contra todos os outros”, afirmou. “Participar de uma competição internacional nos permite ser um time melhor. É preciso ter essa experiência para crescer”.

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