Seedorf encerra carreira nos gramados para assumir desafio como técnico

terça-feira, 14 de janeiro de 2014 16:30 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 14 Jan (Reuters) - O holandês Clarence Seedorf ingressa no exclusivo grupo dos que se aposentam num time que desejava sua permanência para estrear como técnico em um gigante do futebol mundial.

Contrariando a realidade de muitos jogadores que encontram dificuldades no momento crucial de pendurar as chuteiras, seja por problemas físicos ou pela decadência técnica, o holandês de 37 anos diz que ainda poderia enfrentar os campos, mas decidiu trocá-los pelo banco.

Toda especulação sobre a provável oferta do Milan não impediu Seedorf de se apresentar normalmente para iniciar a pré-temporada no Botafogo na segunda-feira. Em meio à atividade, no entanto, veio o telefonema com a oferta para substituir Massimiliano Allegri no comando do time italiano.

Durante os 18 meses que esteve no Botafogo (81 jogos e 24 gols), Seedorf cumpriu etapas do programa de formação de técnicos da Associação Holandesa de Futebol, inclusive comandando treinamentos e jogos de equipes de base de clubes do Rio de Janeiro em meio ao extenuante calendário do futebol nacional. Aprovado, ele vai firmar contrato de dois anos como técnico do Milan.

"Sempre tive a ideia de dar esse passo para ser treinador. Quando, eu não sabia. Eu tinha sempre motivação para continuar jogando também, mas às vezes na vida, por oportunidade, você tem que valorizar", disse Seedorf, de 37 anos, em entrevista coletiva nesta terça-feira no estádio do Botafogo, onde anunciou a decisão.

O holandês, que chegou ao Botafogo em junho de 2012 após 10 anos no Milan, disse que poderia jogar ao menos mais duas temporadas, mas reconheceu que a oportunidade apresentada pelo time italiano era boa demais para ser recusada.

"Muitos param, ficam parados dois, três anos. Eu gosto de trabalhar, gosto desse mundo (do futebol). É um passo natural. Uma taça a mais ou menos não vai mudar minha vida, mas o legado que a gente deixa onde a gente passa, isso sim muda pra mim. Estou feliz e satisfeito, não tenho arrependimento de nada, e posso dar o próximo passo tranquilo", acrescentou.

O agora ex-jogador tinha contrato com o Botafogo até junho deste ano, e o clube esperava contar com ele para a disputa da Copa Libertadores. Mas uma cláusula previa a liberação do compromisso sem custos em caso de oferta para assumir uma função fora de campo. A demissão de Allegri, na segunda-feira, antecipou a decisão de trocar os campos pelo banco.

"Eu sempre vivi o futebol como parte da minha vida, nunca como a minha vida, porque em qualquer momento pode acabar, eu sempre tive essa consciência. Assim eu vivi também esse momento, ganhei tudo, vivi muita coisa, o futebol me deu muita coisa."