Danos cerebrais como o de Schumacher podem destruir vidas, diz estudo

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014 20:35 BRST
 

Por Kate Kelland

LONDRES, 15 Jan (Reuters) - Pessoas com ferimentos graves na cabeça, como o que deixou Michael Schumacher em situação crítica, ficam com o cérebro permanentemente alterado, o que faz com que sejam mais propensas a ter doenças mentais e a morrer prematuramente, disseram cientistas nesta quarta-feira.

Especialistas em neurologia dizem que a maioria dos serviços de saúde falha ao estabelecer a ligação entre o traumatismo crânio-encefálico (TCE) e consequências mentais de longo prazo, o que significa que pacientes podem acabar caindo em depressão, ter problemas comportamentais ou relacionados ao crime.

Schumacher, um saudável e famoso piloto de corridas automobilísticas que tem um bom apoio da família, amigos e médicos, está numa situação bem melhor do que a maioria das pessoas com TCE, mas terá, no entanto, um cérebro alterado e precisará se readaptar e lidar com isso.

"Se Schumacher sobreviver, ele não será Schumacher. Ele será (senhor) X. E sua reabilitação somente será eficaz se ele entrar em acordo com X - e cumprir o que X puder fazer", disse Richard Greenwood, um neurologista do Homerton Hospital e do Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia, em Londres.

"Esse é um processo muito, muito difícil para a pessoa atravessar - e muitas não conseguem."

Greenwood fez os comentários em um encontro com repórteres sobre os resultados de um estudo sobre os efeitos de longo prazo de lesões cerebrais causadas por pancadas na cabeça.

O estudo, divulgado nesta quarta-feira na publicação especializada Jama Psychiatry, constatou que sobreviventes de TCE estão três vezes mais propensos a morrer prematuramente do que a população em geral, e frequentemente por suicídio ou acidentes fatais.

Seena Fazel, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Oxford, que comandou o estudo, disse que as razões exatas para o maior risco de morte prematura - que neste trabalho foi definida como antes dos 56 anos - não estão claras. Mas ele afirmou que podem estar ligadas a danos a partes do cérebro responsáveis pelo julgamento, tomada de decisões e atitudes de risco.   Continuação...