21 de Janeiro de 2014 / às 18:31 / 4 anos atrás

ENTREVISTA-Governos têm que fazer mais na luta contra manipulação no futebol, diz Fifa

Por Brian Homewood

ZURIQUE, 21 Jan (Reuters) - Atletas que participam de manipulação de resultados no futebol correm o risco de não jogarem nunca mais se forem pegos, mas aqueles que os influenciam e montam os esquemas não correm praticamente nenhum risco, de acordo com o chefe da área de segurança da Fifa, Ralf Mutschke.

Nos últimos anos, dezenas de jogadores foram banidos do futebol, muitos pela vida inteira, por tentar manipular os resultados de partidas, geralmente levados pelo desespero de meses sem salário por causa da crise em seus clubes.

Casos recentes envolveram o campeonato austríaco, uma divisão semi-profissional inglesa e a seleção nacional de El Salvador. Neste último caso, 14 jogadores da seleção foram excluídos do esporte para sempre.

"O responsável pelo esquema vai de um jogador ou juiz para outro e praticamente não pode ser pego, não pode ser processado. Mas quando sabemos sobre jogadores, banimos definitivamente do futebol", disse Mutschke.

"Eu digo claramente que precisamos da ajuda dos governos e da vontade política para mudar. Gostaríamos que os criminosos, os que subornam os jogadores, pegassem uma sentença dura. Atualmente não há nada que os detenha. Eles estão se movendo, aproximando-se das pessoas", acrescentou.

Segundo Mutschke, os governos, na maioria dos casos, não estão fazendo o suficiente.

"Na Itália, eles estão fazendo algo, eles têm um monte de investigações criminais, mas em outras parte da Europa, muitos países não têm leis próprias contra a manipulação de resultados."

"Olha o Conselho Europeu. Você tem uma iniciativa para que a manipulação seja penalizada, mas os governos não implementam", afirmou ele, em referência à uma resolução de 2011 que defende a ação conjunta contra o crime.

"Isso significa que quando nós da Fifa tentamos convencer a polícia a fazer investigações, eles dizem que não têm poder e que não é prioridade. Isso não é aceitável."

Mutschke declarou que há sinais de governos tentando fazer algo, mas o progresso é lento. Para complicar a situação, as investigações quase sempre envolvem cooperação internacional.

"Os jogadores são contatados aqui na Europa, mas a fraude nas apostas ocorre na Ásia. É muito difícil para uma polícia local monitorar todo o quadro", disse Mutschke.

Mutschke enfatizou que o esporte não pode lidar com o problema sozinho.

"Isso não é um assunto nosso. Nós não podemos lutar contra o crime organizado", disse. "Tenho lutado contra o crime organizado há 30 anos, e sei o quão difícil é, e é mais difícil se você não tem arma, o poder legal para lutar contra os criminosos."

Apesar das dificuldades, Mutschke afirmou que apenas um pequeno número de partidas é afetado.

"Eu ainda não estou paranóico. Eu ainda me divirto com futebol", afirmou. "Eu não vejo futebol pensando que aquele jogo está arrumado."

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