ANÁLISE-Fifa paga o preço por ignorar sinais de perigo no Brasil

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 13:15 BRST
 

Por Brian Homewood

ZURIQUE, 24 Jan (Reuters) - A Fifa tem se esforçado para esconder a irritação com os problemas nos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo deste ano, mas a entidade que comanda o futebol mundial não pode dizer que não foi alertada.

Os sinais de perigo eram claros desde 2007, quando o Rio de Janeiro sofreu para organizar os Jogos Pan-Americanos.

Estouros de orçamentos, uma expansão do metrô que nunca aconteceu, atrasos e problemas constantes na construção dos locais de competição --muitos dos quais finalizados no último minuto--, deveriam fazer soar o alarme em Zurique.

Mesmo assim, apenas três meses depois, o único candidato a sediar a Copa de 2014, sob o então sistema da Fifa de rotação do torneio pelos continentes, levou a competição sem oposição.

Temas como a obsoleta infraestrutura brasileira, problemas sociais e a violência foram colocados de lado, em meio aos elogios feitos ao Brasil pelas conquistas dentro de campo.

Nos seis anos e meio que se passaram, aconteceu com a Copa do Mundo muito do que ocorreu com o Pan.

Sem poder fazer muito, a Fifa assiste aos organizadores brasileiros não cumprirem prazos, ignorarem os orçamentos iniciais e engavetarem projetos de infraestrutura que representariam um legado da Copa.

Num exemplo recente, a Fifa alertou em maio passado que todos os 12 estádios da Copa do Mundo deveriam estar prontos no fim de 2013 e que atrasos não seriam tolerados. Seis estádios não cumpriram o prazo, e mesmo assim a Fifa nada fez.   Continuação...

 
A Arena da Baixada, sendo reformada para a Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. A Fifa tem se esforçado para esconder a irritação com os problemas nos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo deste ano, mas a entidade que comanda o futebol mundial não pode dizer que não foi alertada. 21/01/2014 REUTERS/Rodolfo Buhrer