Sem obras de mobilidade, chegar a estádios será desafio para torcedor na Copa

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 20:15 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 3 Fev (Reuters) - Na Copa do Mundo proposta pelo Brasil à Fifa havia a previsão de obras ambiciosas de mobilidade urbana que dariam acesso fácil aos estádios, mas o não cumprimento das promessas nas cidades-sede colocará muitos torcedores em sistemas de transporte público deficientes.

Os planos para o Mundial previam projetos de transporte nas cidades para facilitar o acesso às arenas, onde o padrão Fifa não permite o acesso dos torcedores de carro, e os deslocamentos entre locais-chave, como aeroportos e hotéis.

O último levantamento do governo sobre as obras do Mundial, no entanto, aponta uma redução de quase 30 por cento nos investimentos previstos em mobilidade urbana entre abril de 2012 e setembro de 2013, uma queda de 11,35 bilhões de reais para 8,02 bilhões. Projetos de metrô e veículo leve sobre trilhos foram substituídos por simples corredores de ônibus.

Por razões de segurança, a Fifa determina na Copa do Mundo um raio de isolamento ao redor dos estádios de ao menos 1 quilômetro (em algumas cidades chegará a 3 km), área em que só entram os carros credenciados. A orientação das autoridades é que os torcedores utilizem o transporte público nas 12 cidades-sede do Mundial, apesar das deficiências, ou que enfrentem caminhadas.

A maioria das cidades-sede terá linhas extras de ônibus e rotas especiais nos dias de jogos do Mundial, uma maquiagem para a Copa que não esconde a oportunidade perdida pelo país de deixar um legado justamente na área que motivou os protestos em massa no ano passado durante a Copa das Confederações.

"Todos esses projetos estão sendo realizados com o pensamento equivocado de atendimento à Copa do Mundo. Não serão legados, serão uma recuperação de demanda passada", disse o professor Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral.

"O Brasil perdeu em não deixar um grande legado", acrescentou.

Em Manaus, que receberá quatro jogos da Copa, incluindo o clássico Inglaterra x Itália, não haverá nenhuma obra de mobilidade concluída para o torneio. Os projetos de BRT (corredor expresso de ônibus) e monotrilho, previstos inicialmente para serem concluídos em março deste ano, foram suspensos ou abandonados por problemas ambientais e judiciais que impediram o término tempo.   Continuação...

 
Vista aérea do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, onde foram retirados 10 projetos de mobilidade da matriz de responsabilidade da Copa do Mundo. Foto de 30/01/2014 REUTERS/Edison Vara