Proximidade da Copa superaquece mercado de hospedagens alternativas

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 20:44 BRST
 

Por Felipe Pontes

RIO DE JANEIRO, 3 Fev (Reuters) - Festas, exposições, passeios, samba e feijoadas esperam o torcedor que se hospedar durante a Copa do Mundo no Vizu do Galo, um "cama e café" próximo ao elevador que dá acesso à favela do Cantagalo, comunidade encravada entre os icônicos bairros cariocas de Copacabana e Ipanema, onde a moradora e empreendedora Deise Franklin está atenta às oportunidades trazidas pelo torneio.

"Meu querido, se eu vendi 500 camisas canarinho lá embaixo quando a Copa era lá do outro lado do mundo, você acha que quando (a Copa) é aqui, eu não vou me arrumar?", disse Deise, tendo como pano de fundo uma paisagem única do Rio de Janeiro.

Ladeira um pouco mais abaixo, na "Casa da Teteca", uma diária em um quarto com ar-condicionado, Internet e café da manhã custa 70 reais durante a alta temporada, entre dezembro e o Carnaval. Na Copa, as moradoras calculam pedir 150 o pernoite.

Em torno de 2,4 milhões de viajantes brasileiros e estrangeiros vão precisar de hospedagem durante o torneio, de acordo com o Ministério do Turismo, enquanto a oferta de leitos em hotéis nas 12 cidades-sede não ultrapassa os 570 mil, segundo estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o governo em 2012.

A quatro meses do Mundial, a conta que não fecha provoca um forte aquecimento no mercado dos meios de hospedagem ditos alternativos, como os "bed and breakfast", albergues e aluguéis por temporada.

"O movimento é impressionante. Mesmo com antecedência, 60 por cento das reservas já foram feitas. A procura é algo que eu nunca vi antes. Você pode juntar réveillon, Carnaval e Rio+20 e mesmo assim é uma demanda ainda maior", afirmou Sven dos Santos, diretor da Agência-Heidelberg, especializada em aluguéis por temporada na zona sul do Rio de Janeiro.

Com 150 imóveis em sua carteira, ele ainda pretende captar mais 50 apartamentos para alugar entre junho e julho. "Se tivesse 1 mil, alugaria todos", disse o alemão Santos. A diária mais barata durante a Copa custa o triplo do que no Carnaval, e não sai por menos do que 600 reais, enquanto a opção mais sofisticada do portfólio da empresa sai por 4.500 reais o dia.

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Moradora e empreendedora Deise Franklin observa o Rio de Janeiro, da favela do Cantagalo. REUTERS/Felipe Pontes