20 de Fevereiro de 2014 / às 14:23 / 4 anos atrás

Seleção do Irã usa sanções como "inspiração" na Copa, diz técnico

Técnico da seleção de futebol do Irã, Carlos Queiroz, durante partida pelas eliminatórias da Copa da Ásia de 2015, na Cidade do Kuweit. s sanções econômicas impostas ao Irã por causa de seu programa nuclear afetam o futebol do país, mas também podem ser usadas como "inspiração" para a equipe durante a Copa do Mundo, segundo o técnico da seleção iraniana, o português Carlos Queiroz. 26/03/2013.Tariq AlAli

Por Tatiana Ramil

FLORIANÓPOLIS, 20 Fev (Reuters) - As sanções econômicas impostas ao Irã por causa de seu programa nuclear afetam o futebol do país, mas também podem ser usadas como "inspiração" para a equipe durante a Copa do Mundo, segundo o técnico da seleção iraniana, o português Carlos Queiroz.

Em Florianópolis para o seminário da Fifa com os 32 times que participarão do Mundial neste ano, Queiroz explicou que as sanções prejudicam a preparação de sua equipe.

"Infelizmente as sanções afetam o país em geral, e isso atrasa um pouco nossas decisões, porque nós precisamos de financiamento para pagar os hotéis, as equipes, todas essas coisas. Mas a seleção do Irã está fazendo um esforço enorme e vamos encontrar uma solução para isso", disse ele a jornalistas na quarta-feira.

"As sanções afetam, mas também têm sido nossa fonte de inspiração. Tem sido o grande desafio que eu tenho enfrentado com a seleção, que é com menos possibilidades que os outros, com mais complicações que os outros, tentar chegar um pouquinho mais à frente que os outros. Vai ser divertido se conseguirmos fazer isso."

O Irã sofre sanções por parte de países que visam pressioná-lo a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio, que o Ocidente acredita ter por objetivo atingir a capacidade de construir armas nucleares. O Irã alega que seu programa tem fins pacíficos.

Um dos maiores rivais do Irã nesta disputa, os Estados Unidos, ficarão concentrados para a Copa na mesma cidade que os iranianos, em São Paulo, o que é visto com tranquilidade por Queiroz.

"Não tem qualquer preocupação. Viemos aqui para fazer uma festa, participar da festa do futebol brasileiro, esta é a pátria do futebol. E nesta linguagem do futebol nós pertencemos às Nações Unidas do futebol, aqui é a Fifa quem manda", disse.

Dentro de campo, Queiroz sabe que a tarefa dos iranianos é complicada no Grupo F, com Argentina, Nigéria e Bósnia, e acredita que o time precisa estar muito bem montado para conseguir bons resultados no Brasil.

"Os (nossos) jogadores não são os melhores, os outros têm melhores, a experiência os outros têm mais. Então nós só temos uma chance: trabalhar muito para formar uma boa equipe", declarou o ex-treinador do Real Madrid e ex-auxiliar técnico do Manchester United, que evitou falar do futuro após o Mundial.

Queiroz prevê apoio da torcida brasileira na Copa, assim como aconteceu com o modesto Taiti na Copa das Confederações do ano passado, mas espera "retribuir melhor do que o Taiti conseguiu", referindo-se às goleadas sofridas pelo país no torneio.

"Especialmente contra a Argentina acho que os brasileiros vão apoiar o Irã", declarou ele, rindo, sobre o jogo de 21 de junho, em Belo Horizonte.

"JEITINHO" BRASILEIRO

Queiroz é um dos três treinadores de Portugal na Copa de 2014, ao lado de Paulo Bento, da seleção portuguesa, e Fernando Santos, da Grécia, motivo de comemoração para ele.

"Mostra que Portugal nos últimos 15, 20 anos tem trabalhado muito, tem apostado na formação de jogadores e treinadores. Temos vários treinadores em várias partes do mundo. É uma feliz coincidência eu estar no Irã, o Fernando na Grécia e Portugal se classificar para a Copa do Mundo no Brasil, a pátria do futebol, de língua portuguesa", disse.

"Ter três treinadores portugueses aqui é muito bom para nossos treinadores, para o nosso futebol, e para nos abrirem mais oportunidades", completou ele, que substituiu Luiz Felipe Scolari como técnico de Portugal e comandou a equipe no Mundial de 2010, quando foi eliminada nas oitavas de final para a Espanha, que seria a campeã do torneio.

O treinador disse torcer para que Cristiano Ronaldo, eleito o melhor do mundo pela Fifa neste ano, seja o grande destaque da competição no Brasil, que começa em 12 de junho.

"Nós temos hoje um conjunto de príncipes, que são o Cristiano, o Messi, e outro que nasce com muita força, o Neymar, tem o Robben, o Ribéry. A Copa do Mundo é um momento de eleger um dos reis, e espero que este ano o Cristiano possa ser outra vez o rei do futebol", afirmou.

Queiroz declarou não ter preocupação com problemas de infraestrutura no Brasil, mas reconhece que o país vai precisar de seu tradicional "jeitinho" para deixar tudo pronto para o Mundial, após atrasos nas obras de estádios, mobilidade urbana e aeroportos.

"No final tudo vai acontecer bem. Com um jeitinho aqui, um jeitinho acolá, mas não temos nenhuma preocupação. E como se viu na Copa das Confederações, foi um espetáculo fantástico (nos estádios)."

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