Dilma pede ao papa mensagem de paz para a Copa

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 19:44 BRT
 

21 Fev (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff pediu nesta sexta-feira ao papa Francisco, no Vaticano, que faça um pronunciamento sobre a paz e contra o racismo durante a Copa do Mundo, que será disputada no Brasil a partir de junho.

"Eu vim aqui... pedir uma mensagem dele sobre esse posicionamento da Copa do Mundo no Brasil que é a Copa das Copas. Primeiro, pedindo esse pronunciamento quanto à questão da paz e contra o preconceito, especificamente contra o racismo", disse Dilma a jornalistas, após se reunir com Francisco.

Protestos populares contra os gastos para a realização da Copa, que muitas vezes resultaram em depredações e confrontos violentos entre manifestantes e polícia, têm preocupado o governo, que está se preparando para garantir a segurança durante o Mundial.

"O papa, que tem todo esse compromisso com a paz entre os povos e a questão da luta contra o preconceito e contra o racismo, se mostrou bastante interessado e acredito que vai enviar uma mensagem", disse a presidente.

Dilma lembrou que o combate ao racismo também será um dos temas da Copa. Ela já havia se manifestado contra a discriminação nos campos, pelo Twitter, quando lamentou o episódio envolvendo o jogador Tinga, do Cruzeiro, alvo de insultos racistas durante um jogo contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Copa Libertadores.

Segundo Dilma, teve uma conversa descontraída com o papa sobre quem ganhará o Mundial, um assunto que, segundo ela, sempre surge quando brasileiros e argentinos se encontram. O papa Francisco é argentino e era arcebispo de Buenos Aires antes de ser eleito papa.

"A única coisa que eu pedi era que a neutralidade fosse mantida por parte do Santo Padre e, assim, que a mão de Deus não empurrasse bola de ninguém", afirmou. Na Copa de 1986, o então jogador Diego Maradona fez um gol com a mão para a Argentina no jogo contra a Inglaterra, o que ainda é motivo de polêmica em todo o mundo.

Dilma presenteou o papa Francisco, que é da ordem jesuíta, com uma camisa da seleção brasileira assinada por Pelé, com dedicatória, uma bola autografada por Ronaldo e uma coleção de livros sobre a história dos jesuítas no país, que "é o reconhecimento da importância dos jesuítas na formação do Brasil".

Francisco, que é o primeiro papa latino-americano da história, retribuiu com um terço, uma imagem do anjo da paz e uma medalha para a filha de Dilma, contou a presidente.   Continuação...