22 de Fevereiro de 2014 / às 00:21 / em 4 anos

Dilma pede ao papa mensagem de paz para a Copa

A presidente Dilma Rousseff presenteia o papa Francisco com uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, durante reunião no Vaticano, nesta sexta-feira. 21/02/2014 REUTERS/Presidência/Roberto Stuckert Filho

21 Fev (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff pediu nesta sexta-feira ao papa Francisco, no Vaticano, que faça um pronunciamento sobre a paz e contra o racismo durante a Copa do Mundo, que será disputada no Brasil a partir de junho.

“Eu vim aqui... pedir uma mensagem dele sobre esse posicionamento da Copa do Mundo no Brasil que é a Copa das Copas. Primeiro, pedindo esse pronunciamento quanto à questão da paz e contra o preconceito, especificamente contra o racismo”, disse Dilma a jornalistas, após se reunir com Francisco.

Protestos populares contra os gastos para a realização da Copa, que muitas vezes resultaram em depredações e confrontos violentos entre manifestantes e polícia, têm preocupado o governo, que está se preparando para garantir a segurança durante o Mundial.

“O papa, que tem todo esse compromisso com a paz entre os povos e a questão da luta contra o preconceito e contra o racismo, se mostrou bastante interessado e acredito que vai enviar uma mensagem”, disse a presidente.

Dilma lembrou que o combate ao racismo também será um dos temas da Copa. Ela já havia se manifestado contra a discriminação nos campos, pelo Twitter, quando lamentou o episódio envolvendo o jogador Tinga, do Cruzeiro, alvo de insultos racistas durante um jogo contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Copa Libertadores.

Segundo Dilma, teve uma conversa descontraída com o papa sobre quem ganhará o Mundial, um assunto que, segundo ela, sempre surge quando brasileiros e argentinos se encontram. O papa Francisco é argentino e era arcebispo de Buenos Aires antes de ser eleito papa.

“A única coisa que eu pedi era que a neutralidade fosse mantida por parte do Santo Padre e, assim, que a mão de Deus não empurrasse bola de ninguém”, afirmou. Na Copa de 1986, o então jogador Diego Maradona fez um gol com a mão para a Argentina no jogo contra a Inglaterra, o que ainda é motivo de polêmica em todo o mundo.

Dilma presenteou o papa Francisco, que é da ordem jesuíta, com uma camisa da seleção brasileira assinada por Pelé, com dedicatória, uma bola autografada por Ronaldo e uma coleção de livros sobre a história dos jesuítas no país, que “é o reconhecimento da importância dos jesuítas na formação do Brasil”.

Francisco, que é o primeiro papa latino-americano da história, retribuiu com um terço, uma imagem do anjo da paz e uma medalha para a filha de Dilma, contou a presidente.

Dilma está na Itália para participar, no sábado, da cerimônia em que dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, assumirá o cargo de cardeal após ser nomeado recentemente pelo papa.

“Fiquei muito feliz com a indicação de dom Orani, acredito que foi mais uma manifestação muito boa que o papa teve em relação ao Brasil”, disse Dilma.

“Dom Orani é, além de ser um homem de fé, uma pessoa com grande capacidade de solidariedade, que se interessa pelos movimentos sociais, pelos pobres. Eu estou aqui, inclusive, para prestigiar a criação do dom Orani como cardeal.”

Por Bruno Marfinati, em São Paulo

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