Técnicos brasileiros sofrem para trabalhar na Europa

domingo, 23 de fevereiro de 2014 12:10 BRT
 

Por Andrew Downie

SÃO PAULO, 23 Fev (Reuters) - Jogadores brasileiros estão sempre em posições importantes em qualquer partida grande em Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, mas esse sucesso ainda não foi provado pelos treinadores do país, que ainda não conseguiram fazer sucesso na Europa.

Dos 16 técnicos na fase mata-mata da Liga dos Campeões, três são sul-americanos, mas nenhum é do Brasil.

Enquanto vários sul-americanos foram aprovados em times europeus, apenas dois brasileiros assumiram os principais clubes do continente recentemente. Vanderlei Luxemburgo durou 11 meses no Real Madrid, em 2005, e Luiz Felipe Scolari foi demitido depois de oito meses no Chelsea, em 2008.

Há um excesso de razões por trás da falta de sucesso brasileiro nos bancos de reservas europeus, inclusive a barreira da linguagem, uma cultura doméstica, que é emocional e hierárquica, um mercado que oferece salários altos para os treinadores e um ritmo exagerado de contratação e demissão, que torna difícil um treinador desenvolver suas habilidades.

"Técnicos brasileiros nunca foram realmente convidados para trabalharem na Europa", disse Paulo Autuori, bicampeão da Copa Libertadores, com Cruzeiro e São Paulo, à Reuters.

"Os últimos dois, Felipão e Vanderlei, eram considerados de primeira linha aqui no Brasil, mas não funcionaram."

"As pessoas sempre dizem que os técnicos brasileiros não são bons o bastante, que os jogadores do Brasil que são os melhores do mundo, não os técnicos."

Outro problema é a qualificação formal. No Brasil, treinadores não precisam de treinamento e poucos vão para a Europa conseguir os diplomas que são exigidos em todos os clubes que têm ambição.   Continuação...