7 de Março de 2014 / às 15:28 / 3 anos atrás

Volante Arouca é mais uma vítima de racismo no futebol a três meses da Copa

Arouca, voltante do Santos durante partida pelo time, em 2011. O jogador foi vítima de agressão racista por parte da torcida do Mogi Mirim após partida na quinta-feira. 15/05/2011Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO, 7 Mar (Reuters) - O volante do Santos Arouca, com passagem pela seleção brasileira, foi vítima de agressão racista por parte da torcida do Mogi Mirim após partida entre as equipes na noite de quinta-feira, em mais um caso de racismo no futebol brasileiro a três meses da Copa do Mundo.

Foi o segundo caso de racismo no futebol em dois dias. Na véspera, um árbitro tinha sido chamado de macaco durante partida no Rio Grande do Sul.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) informou que o Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado decidiu interditar o estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira, do Mogi Mirim, até a decisão final do processo disciplinar instaurado.

"A ação se tornou necessária considerando que as ações da torcida do Mogi Mirim maculam de forma indelével a disciplina desportiva e também os princípios básicos de civilidade e humanismo", disse a FPF em seu site.

Arouca, que marcou um dos gols na goleada de 5 x 2 do Santos pelo Campeonato Paulista fora de casa, disse ter sido ofendido na saída de campo após a partida por um torcedor do time rival que o mandou procurar alguma equipe da África para jogar.

O jogador disse não ter ouvido os gritos de macaco contra ele relatados por repórteres que estavam na partida, mas disse que, se de fato ocorreram, tornam o fato ainda pior.

"É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças", disse Arouca, de 27 anos, em nota oficial.

"Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si", acrescentou.

O caso aconteceu na noite seguinte a outro incidente de racismo, este contra um árbitro em uma partida do Campeonato Gaúcho. O juiz Márcio Chagas da Silva disse ter sido chamado de macaco, entre outras ofensas racistas, por torcedores do Esportivo durante partida contra o Veranópolis, em Bento Gonçalves.

O árbitro divulgou fotos nas redes sociais de seu carro, que estava estacionado no estádio, com marcas de agressões e com duas bananas sobre o capô.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, entrou em contato com autoridades de São Paulo e do Rio Grande do Sul para pedir apuração e punição rigorosas, segundo a pasta.

"A agressão racista não atinge apenas aquele a quem é dirigida. Fere toda a população brasileira e a sua identidade de povo miscigenado", disse o ministro.

Os casos de racismo nos campos de futebol do país acontecem menos de um mês depois de o jogador Tinga, do Cruzeiro, ter sido alvo de ofensas racistas em partida da Copa Libertadores no Peru contra o Real Garcilaso.

A cada vez que tocava na bola Tinga era agredido pela torcida peruana com imitação de sons de macaco, num incidente que despertou reação indignada de dirigentes esportivos, jogadores e até da presidente Dilma Rousseff.

Por Pedro Fonseca; com reportagem adicional de Tatiana Ramil, em São Paulo

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