Pistorius mentiu sobre uso de próteses quando atirou na namorada, diz especialista

quarta-feira, 12 de março de 2014 14:39 BRT
 

Por John Mkhize

PRETÓRIA, 12 Mar (Reuters) - Oscar Pistorius estava apoiado sobre suas pernas amputadas quando destruiu a porta do banheiro para alcançar a namorada atingida por tiros, disse um especialista forense da polícia sul-africana nesta quarta-feira, rebatendo a afirmação do astro paralímpico de que estava usando suas próteses na ocasião.

Usando um taco de críquete no tribunal, o coronel de polícia Johannes Vermeulen se ajoelhou antes de golpear a porta de madeira para mostrar o ângulo das marcas e indicar que só poderiam ter sido feitas por alguém muito mais baixo do que ele.

O atleta, de 27 anos, foi acusado de matar a modelo e advogada Reeva Steenkamp, em que atirou através da porta trancada do banheiro no dia dos namorados local no ano passado.

Os promotores querem provar que foi um assassinato premeditado, mas Pistorius diz que estava se defendendo do que pensou ser um invasor, que teria arrombado sua casa na capital do país.

Em sua audiência de fiança no ano passado, Pistorius justificou ter atirado por causa da extrema vulnerabilidade que sua deficiência o faz sentir. Entretanto, em seu depoimento sob juramento, ele declarou que tinha colocado as próteses antes de destruir a porta.

Vermeulen discordou.

"As marcas na porta na verdade indicam que ele não as usava, e suspeito que devem ser semelhantes à altura em que estava quando fez os disparos", disse ele ao tribunal.

O advogado de defesa Barry Roux o contestou sugerindo que, mesmo com as próteses, Pistorius não bateria com o taco na mesma altura que uma pessoa sem sua deficiência.

Fotos em close da porta danificada foram exibidas na corte, assim como dos arranhões no taco.

A defesa tem procurado acusar a polícia de ter feito um mau trabalho na coleta de evidências depois de Vermeulen testemunhar que a polícia remontou a porta quebrada com um adesivo temporário. Na audiência de fiança, Roux arrasou com o detetive que conduzia a investigação, Hilton Botha, mais tarde afastado por ser suspeito em sete casos de tentativa de assassinato.