March 13, 2014 / 8:18 PM / 3 years ago

Lixo na baía de Guanabara ameaça manchar imagem do Rio na Olimpíada

4 Min, DE LEITURA

Homem caminha próximo a lixo na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, local que receberá a Olimpída de 2016. Foto de 12 de março de 2014.Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO, 13 Mar (Reuters) - Palco das provas de vela dos Jogos Olímpicos de 2016, a baía de Guanabara está tão suja que, em determinados pontos, parece mais um esgoto a céu aberto do que o local que em cinco meses receberá o primeiro evento-teste oficial da Olimpíada do Rio de Janeiro.

Um passeio de barco pelas águas de um dos pontos turísticos mais famosos da cidade revela o tamanho do desafio que as autoridades e os organizadores terão pela frente para melhorar a situação a tempo para a Olimpíada.

De sofás e eletrodomésticos a incontáveis pedaços de madeira e sacos plásticos, há todo tipo de lixo, sem falar no odor do esgoto que se acumula nas margens.

"Os Jogos Olímpicos foram recebidos com uma grande expectativa pela oportunidade da recuperação desse passivo ambiental que está há décadas acumulado, mas, infelizmente, a dois anos dos Jogos, a situação praticamente continua a mesma", afirmou à Reuters TV o biólogo Mario Moscatelli, um dos principais ativistas da campanha pela despoluição da baía.

Na proposta de candidatura para organizar os Jogos Olímpicos, apresentada em 2009, o Rio dedicou um capítulo exclusivo ao legado ambiental que o evento deixaria para a cidade. Descrita como "um dos principais símbolos naturais do Rio", a baía de Guanabara seria alvo de um projeto de despoluição que estabeleceria "um novo patamar de preservação da qualidade das águas para as próximas gerações".

A realidade, no entanto, está bem distante disso.

Apesar dos 760 milhões de reais investidos de 1994 a 2006 na despoluição do local, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC), há lixo boiando por toda parte e montanhas de entulho acumuladas nas margens.

O governo do Rio lançou um plano de ações com o objetivo de sanear 80 por cento da baía de Guanabara até 2016, mas o cenário ainda é desolador.

"Nós precisamos de pelo menos sete a oito unidades de tratamento nos principais rios que desembocam na baía", disse Moscatelli. Segundo ele, é preciso também evitar o despejo de resíduos diretamente na baía por parte dos moradores de favelas que margeiam o local.

Apesar da sujeira, atletas brasileiros e estrangeiros continuam utilizando o local para velejar. Em agosto, a Marina da Glória vai receber o primeiro evento-teste da Rio-2016, com atletas de diversas classes e de vários países.

De acordo com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do comitê organizador dos Jogos de 2016, Carlos Arthur Nuzman, os Jogos não serão prejudicados pela poluição.

"Os locais de competições não conflitam tão fortemente com locais que são problemas", disse Nuzman no fim de semana em Santiago, onde acontecem os Jogos Sul-Americanos.

A poluição da baía de Guanabara se soma a outros problemas enfrentados pelo país na preparação para os Jogos Olímpicos e para a Copa do Mundo deste ano, dois eventos inicialmente considerados uma chance para o Brasil mostrar suas qualidades ao mundo e deixar um legado local, mas que se tornaram uma dor de cabeça.

No caso da Copa, dos 12 estádios construídos ou reformados, somente dois foram entregues dentre do prazo; boa parte das obras de transporte e em aeroportos das cidades-sede do Mundial não ficará pronta a tempo.

Os Jogos Olímpicos, cujo orçamento ainda não foi divulgado, já receberam um alerta do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach. Em visita ao Brasil no início do ano, disse que o "tempo é chave" para a Rio-2016.

Por Pedro Fonseca, com reportagem da Reuters TV

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