17 de Março de 2014 / às 22:49 / 4 anos atrás

ENTREVISTA-Equipes podem ter de pagar o preço da Fórmula 1 mais silenciosa, diz Ecclestone

Por Alan Baldwin

LONDRES, 17 Mar (Reuters) - O impacto causado pelos carros mais silenciosos da Fórmula 1 poderá comprometer a receita do esporte e levar as equipes a ganharem menos dinheiro se os realizadores tomarem medidas legais, disse nesta segunda-feira o dirigente supremo da área comercial da competição, Bernie Ecclestone.

O presidente da corporação que realiza o Grande Prêmio da Austrália, Ron Walker, declarou depois da corrida de domingo, a primeira da temporada, que não ficou feliz com a redução dos decibéis e que a Fórmula 1 “claramente violou o contrato”.

“Não é o que nós pagamos. Vai mudar”, Walker disse ao jornal Melbourne Age, acrescentando que tinha falado sobre isso com um Ecclestone “horrorizado”.

“Isso vai ser um problema para os organizadores (de corridas) em todo o mundo.”

Ecclestone disse à Reuters em entrevista por telefone que Walker “provavelmente foi um pouco além no que disse”, nas acrescentou que o australiano não estava sozinho em sua preocupação.

“Houve um ou dois realizadores que entraram em contato comigo hoje e eles disseram o quanto estavam insatisfeitos”, declarou o bilionário, de 83 anos.

“Eu falei com (o presidente da Ferrari) Luca di Montezemolo agora e Luca disse que nunca recebeu tantos emails de reclamação, dizendo que isso não é Fórmula 1.”

A Fórmula 1 abandonou os velhos e barulhentos motores de 2,4 litros V8 no final da temporada passada e os substituiu por turbos 1,6 litros V6, que consomem menos combustível e são mais suaves, com sistemas de recuperação da energia caros e complicados.

Ecclestone tem criticado a mudança e alertou várias vezes que o esporte se arrisca a perder um ingrediente-chave para o público pagante ao abaixar o volume, um item que era boa parte do show.

“Estou desapontado por estar certo quando disse que isso iria acontecer. Sinto muito que isso tenha acontecido”, disse ele.

GELEIA DE MORANGO

Ao lhe perguntarem se os organizadores das corridas poderão ter uma oportunidade de renegociar seus contratos, reduzindo, em consequência, os valores, Ecclestone reconheceu que isso pode tornar-se uma questão a considerar.

“Não é (a preocupação) no momento, mas poderia muito bem ser”, afirmou. “Se os realizadores disserem ‘Olha, isso não é o que eu comprei e eu não vou pagar por isso ou eu não quero pagar tanto’, ou algo assim, então é uma preocupação.”

“Damos às equipes uma porcentagem da receita que recebemos. Então, se temos uma receita menor, seja qual for o caso, certamente as equipes não conseguirão muito. Por isso, vai pesar para elas”, acrescentou.

No entanto, o britânico, que viu o esporte mundial passar por inúmeras etapas de motores, de V12 para V10 e V8, pôs em dúvida se realizadores como Walker poderiam fazer valer seu argumento em algum tribunal.

“Eu não sei (se ele tem razão)”, disse ele sobre os comentários de Walker a respeito de quebra de contrato.

“Supondo que ele não tenha razão do ponto de vista legal, você tem que olhar (para a questão) pelo lado moral. Se você entrou no supermercado hoje e comprou um pouco de geleia de morango, mas levou manteiga de amendoim, você provavelmente ficará um pouco chateado.”

“É manteiga de amendoim de boa qualidade, mas ele está dizendo que não é o que ele comprou”, acrescentou Ecclestone.

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