Zagallo lembra "Maracanazo" e diz que ganhar em casa é "questão de honra"

sexta-feira, 4 de abril de 2014 19:23 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 4 Abr (Reuters) - O tetracampeão mundial Mário Jorge Zagallo classificou a conquista do sexto título mundial pela seleção brasileira na Copa deste ano, em casa, como uma "questão de honra", após a derrota dolorida no Mundial de 1950.

Recentemente, o técnico Luiz Felipe Scolari e o coordenador Carlos Alberto Parreira chamaram a responsabilidade ao afirmar que o país tem obrigação de conquistar o título.

"Não é só uma obrigação. Mais que uma obrigação, é uma questão de honra", disse Zagallo à Reuters nesta sexta-feira.

"Acredito e sempre acreditei no Brasil. Vamos ser sempre favoritos. Todas as potências ganharam em casa e só nós não conseguimos. Não admito perder duas Copas", acrescentou ele, duas vezes campeão mundial como jogador (1958 e 1962), uma como técnico (1970) e uma como coordenador (1994).

Na final da Copa de 1950, na derrota do Brasil para o Uruguai por 2 x 1 no Maracanã, conhecida como "Maracanazo", ele ainda sonhava em ser jogador e à época era apenas um jovem soldado militar.

"Eu vivi aquele drama; foi um sofrimento e uma comoção nacional. Não pode repetir de novo. Não podemos perder uma segunda chance", afirmou.

Oito anos depois do fracasso do Brasil em casa, Zagallo ajudou o Brasil a conquistar a primeira de cinco Copas na Suécia. Os protagonistas foram o jovem Pelé e o genial Garrincha, mas Zagallo teve um papel estratégico e inovador ao atuar como um meia que atacava e defendia, algo pouco usual para a época em que os times tinham como base o ousado 4-2-4.

De lá para cá, Zagallo dirigiu o Brasil no tricampeonato de 1970 no México, foi coordenador técnico da seleção em 1994 e treinador do Brasil no vice-campeonato em 1998, na França. Os esquemas e estilos de jogo mudaram, assim como a mentalidade dos treinadores.   Continuação...