Ex-boxeador americano Rubin "Hurricane" Carter morre aos 76 anos

domingo, 20 de abril de 2014 17:00 BRT
 

Por Cameron French e Emily Flitter

TORONTO/NEW YORK (Reuters) - O ex-boxeador profissional americano Rubin "Hurricane" Carter, que passou 19 anos na prisão por assassinato e acabou solto depois que foi determinado que ele não teve um julgamento justo, morreu neste domingo, aos 76 anos, de acordo com seu amigo e tutor John Artis.

Carter, considerado um herói do folk por muitos e imortalizado em filme e música, lutava contra um câncer de próstata por quase três anos, disse Artis. Ele morreu em casa, em Toronto, onde morava desde que saiu da prisão, em 1985.

Boxeador peso médio, que disputou o título mundial em 1964, Carter é mais conhecido pela reviravolta que a sua vida sofreu quando foi preso por homicídio triplo em 1966.

Sua prisão, seu tempo na cadeia e a bem sucedida batalha para libertá-lo estão imortalizados na música de 1975 de Bob Dylan "Hurricane" e no filme de 1999, com o mesmo nome, que teve Denzel Washington como Carter.

Nascido em 1937, em clifton, New Jersey, Carter teve problemas com a lei quando era adolescente, foi preso sob custódia por agressão e roubo, e passou dois anos no exército.

Em 1961, ele canalizou suas energias no boxe. Virou profissional e disputou o título de 1964 contra o campeão mundial Joey Giardello, que Carter perdeu por decisão unânime.

A sua carreira já estava em declínio em 1966 quando foi preso e processado em junho por triplo assassinato em Paterson, New Jersey. Ele foi condenado, junto com Artis, que conheceu pedindo carona na noite dos assassinatos.

O caso de Carter explodiu na consciência nacional em 1974, quando duas testemunhas-chave mudaram seus depoimentos, motivando uma série de reportagens do New York Times e transformando-o em um caso célebre para o movimento dos direitos civis, além de inspirar Bob Dylan a lançar "Hurricane".

Ele foi julgado novamente em 1976 e condenado novamente. Foi solto em 1985, depois que um juíz federal decidiu que as suas condenações "foram pressupostas em um apelo pelo racismo ao invés da razão, encobrimento ao invés de transparência." Os promotores decidiram não buscar um terceiro julgamento.