Carvalho diz "torcer" por protestos na Copa para mostrar força da democracia

segunda-feira, 28 de abril de 2014 19:24 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 28 Abr (Reuters) - O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira torcer para a realização de protestos durante a Copa do Mundo deste ano, por entender que as manifestações mostrarão ao mundo a força da democracia brasileira.

"Tomara que aconteçam as manifestações porque, diferentemente de outros países, temos uma democracia viva e torço para que haja manifestações. Queremos que os turistas vejam nossa democracia pulsante", disse ele a jornalistas antes de participar de um encontro com movimentos sociais no Rio de Janeiro.

No ano passado, na época em que era realizada a Copa das Confederações, o país viveu uma onda de manifestações, deflagrada pela contrariedade gerada pelo aumento das tarifas do transporte público, mas que acabou por trazer uma gama de insatisfações, como com a qualidade dos serviços públicos e os gastos públicos com a Copa do Mundo.

Os protestos tornaram-se violentos em várias partes do país, inclusive nas seis cidades que sediaram jogos da Copa das Confederações, evento-teste para o Mundial deste ano.

Carvalho disse esperar que tais cenas de violência não se repitam, e reconheceu os exageros cometidos também pelos policiais. Um plano nacional de capacitação e qualificação de policiais para lidar com esse tipo de cobrança social é a aposta do ministro para que a violência não seja reeditada.

"Nossa preocupação é com violência... estaremos preparados para enfrentá-la. Estamos trabalhando num protocolo com as Policias Militares dos Estados para que elas não sejam um fator de agravamento da violência", disse Carvalho.

Apesar do otimismo do ministro, durante o evento com os movimentos sociais manifestantes gritaram palavras de ordem contra a Copa do Mundo e houve um princípio de tumulto entre os participantes do encontro.

Ainda assim, Carvalho disse que o governo pretende usar os próximos 46 dias até a abertura do Mundial, com a partida entre Brasil e Croácia em São Paulo, para mostrar à sociedade que a Copa não é um fracasso e que o torneio trará vantagens ao país.

"Apostava-se que os estádios não ficariam prontos e quebraram a cara... o fracasso não está se evidenciando. Somos capazes sim de fazer uma grande Copa", disse.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)