Realidade dura fora de campo torna fantasma do Maracanazo o menor dos pesadelos

terça-feira, 6 de maio de 2014 16:39 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 6 Mai (Reuters) - Das duas grandes oportunidades que a Copa do Mundo de 2014 representava para o Brasil, a chance de melhorar a infraestrutura do país e mostrar ao mundo um nova cara parece já ter se perdido diante dos percalços nos preparativos, e resta agora como esperança enterrar as tristes lembranças do Maracanazo para evitar um fiasco.

Ao lado de Romário e Paulo Coelho, escolhidos para mostrar exemplos de sucesso do país, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu em cerimônia na sede da Fifa, em Zurique, que os dirigentes da federação internacional poderiam ficar tranquilos.

"O Brasil saberá, orgulhosamente, fazer a sua lição de casa, realizar uma Copa do Mundo para argentino nenhum colocar defeito", disse.

O ano era 2007, quando o Brasil vivia uma euforia econômica impulsionada pelo crescimento de 6,1 por cento do PIB -- o maior em 20 anos. Nas palavras de Lula, o Brasil estava "assumindo uma responsabilidade enquanto nação para provar ao mundo que nós temos uma economia crescente, estável, que nós somos um dos países que estão com a sua estabilidade conquistada".

Nos sete anos que se seguiram, viu-se uma repetição da conhecida história de atrasos em obras, estouros de orçamento, promessas não cumpridas e um acúmulo de problemas, que resultou em duras críticas, inclusive da Fifa.

"Há uma série de equívocos do governo. O governo começou prometendo que a Copa transformaria uma série de questões estruturais do Brasil, sendo que a Copa nunca teve condições de transformar nada disso. Esse foi o grande erro estratégico do governo, prometer demais e entregar de menos", disse à Reuters Pedro Trengrouse, consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) na Copa e coordenador de projetos da Fundação Getulio Vargas.

A célebre frase do "chute no traseiro" disparada pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, para cobrar celeridade nos preparativos do Brasil tornou-se símbolo dos problemas enfrentados pelo país.

Primeiro as autoridades prometeram uma revolução na infraestrutura brasileira diante da oportunidade de realizar a Copa do Mundo, seguida dois anos depois pelos Jogos Olímpicos.   Continuação...

 
Vista externa da Arena Corinthians, em São Paulo, um dos estádios da Copa do Mundo que sofre com atrasos nas obras. 26/04/2014 REUTERS/Paulo Whitaker