6 de Maio de 2014 / às 19:29 / 3 anos atrás

De volta ao Mundial, Felipão busca ser 1º bicampeão em 76 anos

O técnico da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari, concede entrevista coletiva durante uma conferência sobre a Copa do Mundo em Florianópolis, em fevereiro. 19/02/2014Sergio Moraes

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 6 Mai (Reuters) - Luiz Felipe Scolari parecia ter deixado no passado o melhor da carreira, tendo como auge a conquista do penta em 2002, depois da demissão do Chelsea em 2009 com apenas sete meses e do isolamento no futebol do Uzbequistão, mmas ganhou uma nova chance entre os grandes ao voltar ao comando da seleção para mais uma Copa do Mundo, desta vez em casa.

Mesmo com um título mundial, uma semifinal de Copa do Mundo e um vice de Eurocopa no currículo, Felipão foi parar no desconhecido Bunyodkor, longe dos holofotes do mundo do futebol, após perder o emprego no time londrino.

A volta para casa no Palmeiras, em 2010, também não teve um desfecho de sucesso para o técnico, que deixou o time a caminho do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2012, apesar de ter vencido a Copa do Brasil poucos meses antes.

Felipão, de 65 anos, confessou a pessoas próximas que estava cansado. Disse que precisava aproveitar um período com a família longe do futebol e depois gostaria de uma nova chance na Europa, segundo um interlocutor próximo ao técnico.

"Quando ele saiu ele ia dar uma pausa e esperar, a ideia era voltar para a Europa, mas tinha que esperar abrir o mercado. Ele tinha convite para Ásia, China, Oriente Médio, mas queria dar um tempo", disse.

Mas o descanso foi curto, e Felipão ganhou uma nova oportunidade na elite do futebol mundial: voltar à seleção brasileira para comandar a equipe na Copa do Mundo em casa, no emblemático ano do centenário do time, com a chance de tornar-se o primeiro técnico duas vezes campeão do mundo desde o italiano Vittorio Pozzo em 1934 e 1938.

"Nós temos a obrigação, sim, de ganhar o título", disse o treinador assim que assumiu a equipe, em novembro de 2012. "Se estamos organizando uma Copa do Mundo e somos um país que tem cinco títulos mundiais, não podemos entrar em nossa Copa pensando em vice-campeonato, em terceiro ou quarto lugar."

Exigente com os jogadores, mas ao mesmo tempo fiel àqueles que aderem ao seu projeto de trabalho, Felipão foi escolhido para assumir a seleção no lugar de Mano Menezes, a menos de dois anos da Copa do Mundo. Agora sim falou alto o currículo do treinador, que além do penta com o Brasil levou a seleção de Portugal à semifinal do Mundial de 2006 e ao vice-campeonato da Euro-2004, em casa.

Ex-zagueiro que jogava duro, Felipão mantém o estilo de xerife também como treinador. Valoriza o comportamento e o espírito de grupo dos atletas tanto quanto o talento em campo. Um exemplo clássico aconteceu em 2002, quando deixou Romário fora do time, apesar da campanha popular pelo atacante, devido a um ato de indisciplina.

"Acho Felipão a pessoa certa no momento certo", disse à Reuters o ex-jogador Juninho Paulista, que fez parte do time campeão do mundo na Coreia do Sul e no Japão há 12 anos.

"Ele se importa com o que acontece fora de campo, como os jogadores se comportam, se eles dão seu máximo, se eles apoiam seus colegas quando estão no banco. Ele procura esse tipo de jogador", acrescentou.

O técnico aproveitou a renovação feita por seu antecessor e acrescentou nomes mais experientes, como Fred e Julio Cesar, a jovens como Neymar e Oscar. O time, até então visto com desconfiança, passou a ser considerado um dos grandes favoritos ao título mundial ao longo da campanha na Copa das Confederações do ano passado.

Foram cinco vitórias em cinco jogos, incluindo um ressonante 3 x 0 sobre a Espanha na final disputada no Maracanã lotado. Mais do que um bom time em campo, o técnico conseguiu construir uma relação forte entre jogadores e torcida, como visto no hino nacional cantado a plenos pulmões antes de cada partida, em campo e na arquibancada.

A base da Copa das Confederações será a mesma do Mundial. A lista de jogadores a ser anunciada pelo treinador na quarta-feira no Rio de Janeiro deve conter pelo menos 16 jogadores que também disputaram o torneio do ano passado,

A continuidade e a união representam uma das forças da seleção, mas o técnico descarta que o atual time seja uma nova "Família Scolari", como ficou conhecida a equipe campeã mundial em 2002.

"Não tem mais Família Scolari, pode ter algumas características e colocações, em um grupo que é amigo", disse o técnico na Copa das Confederações. "A minha preocupação é chegar na final e vencer."

Reportagem adiconal de Andrew Downie, em São Paulo

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