Índia reforça vigilância na fronteira após morte de Bhutto
Por Alistair Scrutton
NOVA DÉLHI (Reuters) - A Índia instituiu um "estado elevado de vigília" na fronteira com o Paquistão, antevendo possíveis turbulências no país vizinho depois do assassinato da líder oposicionista e ex-premiê Benazir Bhutto.
Especialistas dizem que o impacto imediato sobre a Índia será pequeno, mas que a morte de Bhutto pode ser mais um duro revés na perspectiva de paz permanente na região, pois demonstra o avanço da violência militante no Paquistão.
Índia e Paquistão são potências nucleares que já travaram três guerras em seus 60 anos de vida independente e estiveram perto de um novo conflito em 2002. Nos últimos anos, houve uma tímida reaproximação, mas a situação permanece tensa.
"Houve uma orientação geral a todas as forças de fronteira para manterem um estado elevado de vigilância. Dá para imaginar por quê", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior na sexta-feira à Reuters.
"Não há ameaças específicas ainda. Eles foram colocados em alerta, houve várias especulações, (sobre) jihadistas, sobre um efeito-transbordamento", acrescentou.
A Índia já havia colocado suas forças fronteiriças em alerta diante de outras crises no Paquistão -- a última delas em novembro, quando o presidente Pervez Musharraf decretou estado de emergência.
A Índia teme que a instabilidade no Paquistão -- aliado do Ocidente na guerra contra a Al Qaeda e o Taliban -- possa provocar um aumento na violência de militantes islâmicos na região da Caxemira controlada por Nova Délhi ou em grandes cidades indianas.
Na sexta-feira, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes que protestavam contra a morte de Bhutto em Srinagar, capital de verão da Caxemira, segundo testemunhas. Os manifestantes davam vivas ao Paquistão e à dirigente assassinada. Continuação...

