ENTREVISTA-Rússia quer diminuir presença do Estado na economia
Por David Schlesinger e Janet McBride
MOSCOU (Reuters) - A Rússia deseja reduzir a presença do Estado na economia e limitará os gastos do governo para combater a alta da inflação, disse o presidente russo, Dmitry Medvedev, em uma entrevista concedia à Reuters.
Medvedev rejeitou qualquer idéia de uma estatal do setor energético comprar participação em um dos maiores investimentos da Rússia no exterior, a petrolífera TNK-BP (metade da qual é de propriedade da BP ), e disse que o país não apostaria sua imensa reserva de petróleo em investimentos financeiros arriscados.
Em uma entrevista sobre vários assuntos no Kremlin, Medvedev ressaltou a importância da cooperação internacional para solucionar os problemas econômicos do mundo e repetiu sua proposta de fazer do rublo uma de várias moedas a serem usadas para criar fundos de reserva regionais, limitando a dependência mundial do dólar.
Analistas afirmam que a inflação em alta, que deve atingir os 14 por cento neste ano, é o maior problema econômico da Rússia e acreditam que a economia esteja crescendo rápido demais ou esteja superaquecida.
Observando que os preços aumentam a uma velocidade mais de duas vezes maior que a meta original do governo, de 5 a 6 por cento ao ano, o presidente russo disse que seu país não possui um "superaquecimento sobrenatural", mas que deveria agir "de forma dura e clara para limitar essas tendências inflacionárias".
Questionado sobre quais medidas adotaria especificamente, o dirigente mencionou a redução dos gastos "excessivos" do governo. No entanto, observou que a Rússia "não poderia adotar uma política de taxas de juro isolando" os fatores internacionais.
O país mantém a taxa de câmbio do rublo dentro de uma banda limitada e está preocupado que altas taxas de juros para a já valorizada moeda nacional provoquem a entrada de uma onda de capital especulativo no país.
Medvedev sugeriu em fevereiro, pela primeira vez, dar ao rublo um papel como moeda de reserva e citou novamente a idéia na entrevista, afirmando que isso ajudaria a construir um sistema financeiro global mais robusto. Continuação...
