ENTREVISTA-60 anos depois, Anistia ainda vê abusos a direitos
Por Jeremy Lovell
LONDRES (Reuters) - Seis décadas depois da aprovação unânime da Declaração Universal dos Direitos Humanos por líderes mundiais, a situação ainda é crítica e exige providências urgentes, disse na quarta-feira a secretária-geral da Anistia Internacional Irene Khan.
Da Ásia aos Estados Unidos e África, os países renegam seus compromissos em favor dos direitos humanos e as pessoas começam a perder a paciência, disse Khan numa entrevista concedida a propósito do relatório anual do grupo.
"Há uma plataforma incandescente por aí, pontos de volatilidade no mundo, Iraque, Darfur, Zimbábue, Oriente Médio, o conflito palestino. Os governos têm de agir antes que as coisas piorem", disse ela à Reuters.
De acordo com ela, a China precisa agir de acordo com seu novo status de potência mundial, os EUA precisam se redimir depois de terem tolerado o uso de torturas, Mianmar precisa se abrir ao mundo e os líderes africanos devem demonstrar responsabilidade.
Na opinião dela, a Olimpíada de agosto em Pequim estimulará mudanças na China, apesar de o regime local não ter cumprido as promessas que fez em relação aos direitos humanos quando conquistou o direito de organizar os Jogos.
"É importante que a China reconheça que é uma potência global, está entrando no cenário mundial e deve preservar os valores globais -- valores globais de direitos humanos em casa e no exterior", disse.
"O governo chinês tem de mudar de posição a respeito de Darfur [região sudanesa sob guerra civil] no Conselho de Segurança da ONU. O governo chinês tem de usar sua influência sobre Mianmar para abrir suas portas à ONU. Então há um potencial para que a China use positivamente a Olimpíada para provocar mudanças nos direitos humanos dentro da China", disse Khan.
A Assembléia Geral da ONU promulgou a Declaração Universal de Direitos Humanos em 10 de dezembro de 1948, estabelecendo assim os pilares básicos para o direito humanitário internacional. Continuação...
