Base aliada acompanha situação de Michel Temer e avalia viabilidade do governo

sexta-feira, 19 de maio de 2017 21:22 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - Ao final de mais um dia de denúncias, parlamentares da base aliada acompanham com desconfiança a situação do presidente Michel Temer e esperam os próximos capítulos para definir a viabilidade do governo.

Parlamentares ouvidos pela Reuters avaliam que a intensidade dos protestos marcados para os próximos dias e a capacidade do governo de responder às acusações vão determinar o futuro de Michel Temer na Presidência. Se os atos forem massivos, acreditam que o presidente será impelido a deixar o cargo.

Importantes grupos que estiveram à frente das passeatas pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff convocaram atos para o final de semana, mas desmarcaram nesta sexta, após a divulgação do conteúdo das investigações contra Temer. É possível que as manifestações de domingo fiquem mais restritas a grupos de oposição a Temer.

Um dos vice-presidentes do PSDB, Alberto Goldman afirmou que o partido decidiu permanecer na base de apoio ao governo Temer com o objetivo principal de garantir a continuidade da agenda de reformas. Para o tucano, sem a presença do PSDB no governo, principal parceiro do Executivo, é que as reformas não vão ser levadas adiante.

"Se vai ser feita pelo Michel Temer ou por um novo presidente eleito pelo Congresso o fato mais importante é que essas reformas iniciadas são fundamentais para a retomada do crescimento econômico", disse ele.

As reformas trabalhista e da Previdência são também a aposta do Planalto para tentar manter o apoio a Michel Temer. Na quinta-feira, auxiliares próximos do presidente decidiram levar adiante às reformas como forma de enfrentar as denúncias contra o presidente.

"Vamos insistir nas reformas. Se algum partido achar que não deve votar, explicite seus motivos para a sociedade e arque com as consequências", disse uma fonte próxima ao presidente.

A estratégia, no entanto, pode não ser suficiente. O governo já tinha dificuldades de encontrar os votos para aprovar a reforma da Previdência antes das denúncias e a avaliação é de que o quadro pode piorar agora.   Continuação...

 
Presidente Michel Temer
18/05/2017
REUTERS/Ueslei Marcelino