Janot quer finalizar delações de Palocci e Funaro e dar início a inquéritos antes de deixar PGR, diz fonte

segunda-feira, 19 de junho de 2017 18:55 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Antes de terminar seu mandato como procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quer deixar finalizadas as delações premiadas que ainda estão sendo negociadas, incluindo as do ex-ministro Antonio Palocci e do operador financeiro Lúcio Funaro, e os pedidos de inquérito decorrentes destes dois acordos, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

Janot deixa o cargo em 17 de setembro, quando assumirá o novo procurador-geral a ser indicado pelo presidente Michel Temer. Janot, segundo a fonte, quer tempo para encerrar as negociações das delações e ainda aproveitar o que for revelado para dar início aos inquéritos necessários.

“Ele não quer deixar nada nas gavetas”, disse a fonte, sob condição de anonimato.

A delação de Palocci, que pode envolver o sistema financeiro, causou tal preocupação no governo que o Planalto acelerou a publicação de uma medida provisória autorizando o Banco Central a fazer acordos de leniência com bancos no caso de se avaliar que pode haver impacto no sistema.

A primeira sentença contra o ministro da Fazenda do governo Lula deve ser publicada até a próxima semana, disse a fonte, o que pode ser um incentivo a mais para o acordo ser fechado mais rapidamente.

Funaro, preso há mais de um ano em Brasília, trocou recentemente de advogado e contratou Antonio Figueiredo Basto, especialista em delações premiadas, tendo homologado mais de 10 apenas na operação Lava Jato. Basto estaria trabalhando diretamente no acordo de Funaro, e a expectativa é que haja novidades nas próximas semanas.

Classificado nas operações como um operador do ex-deputado Eduardo Cunha, Funaro teria atuado em esquemas de liberação de recursos do fundo FI-FGTS e outros fundos federais em troca de propina. Funaro foi o nome citado pelo ex-assessor especial da Presidência José Yunes como sendo o responsável por lhe entregar um envelope em nome do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Na semana passada, Funaro foi chamado a depor no inquérito que investiga Michel Temer por corrupção passiva, obstrução da Justiça e participação em organização criminosa.   Continuação...

 
Procurador-geral da República, Rodrigo Janot
19/06/2017
REUTERS/Ueslei Marcelino