Bernardo: corte orçamentário seguirá meta fiscal de 3,8% d PIB

quarta-feira, 2 de abril de 2008 21:07 BRT
 

Por Isabel Versiani e Daniela Machado

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O governo deve anunciar esta semana um corte no Orçamento entre 14 bilhões e 20 bilhões de reais, com ênfase em uma redução das despesas previstas em emendas parlamentares, afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, nesta quarta-feira.

Ao programar suas receitas e despesas, o governo vai mirar a meta de superávit primário equivalente a 3,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), frisou o ministro. Uma eventual mudança, caso definida, seria anunciada "com transparência".

Bernardo explicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliará três possibilidades de ajuste no Orçamento baseadas em perspectivas "mais ou menos otimistas" para a economia. Ele classificou os três cenários de "prudente, mais prudente e bem prudente".

"Tem que saber o que vai acontecer com a nossa economia neste ano. Até aqui tudo caminha de uma forma muito boa, a nossa receita está se comportando bem, mas esse cenário internacional pode afetar de alguma maneira a nossa economia e provocar uma redução da nossa receita", afirmou em entrevista no Reuters Latin America Investment Summit.

Bernardo acrescentou que também será considerado o volume de desonerações decorrentes da política industrial a ser anunciada pelo governo nos próximos dias e o montante de recursos adicionais direcionados à área da saúde em 2008.

Os cortes não afetarão os principais gastos sociais nem obras do Programa de Aceleração co Crescimento (PAC). "Evidente que num primeiro momento vamos colocar mais peso nas emendas (parlamentares)... mas temos que deixar um espaço senão o Congresso vai se sentir desprestigiado", afirmou.

GRAU DE INVESTIMENTO "IRRELEVANTE"

O ministro afirmou que o Brasil ainda não foi afetado pela crise externa e que a concessão de grau de investimento é "irrelevante neste momento".  Continuação...