ENTREVISTA-Política industrial é aposta para câmbio--Mantega
Por Isabel Versiani e Daniela Machado
BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta quinta-feira que o governo tenha pensado em abandonar o regime de câmbio flutuante, e disse que medidas de incentivo à indústria exportadora são, no momento, os únicos instrumentos para conter a piora das contas externas brasileiras.
Em entrevista à Reuters, o ministro defendeu também que a melhor maneira de brecar eventuais pressões inflacionárias é estimular um aumento da produção --sinalizando, mais uma vez, que não gostaria de ver uma elevação do juro básico pelo Banco Central.
"O Ministério da Fazenda e o governo não estão estudando nenhuma nova modalidade de câmbio no Brasil. Nós continuaremos com o câmbio flutuante. Não se muda um sistema exitoso", afirmou, em referência à política de metas de inflação e câmbio livre adotada em 1999.
O jornal "Valor Econômico" publicou nesta quinta-feira que um ministro, não identificado, informou que Mantega teria levado ao Planalto a discussão sobre mudar a política cambial.
Questionado pela Reuters, Mantega negou que a Fazenda teria lançado um "balão de ensaio" para medir a reação do mercado ao assunto. "Vocês deveriam procurar verificar a fonte dessas informações... aqui da Fazenda nós não costumamos fazer nenhum tipo de ensaio."
DÓLAR EM "NOVO PATAMAR"
Segundo Mantega, a política industrial a ser anunciada pelo governo nos próximos "15 ou 20 dias" trará medidas de estímulo ao setor exportador que terão impacto sobre o volume das vendas externas já neste ano. Ele estima que a projeção do Ministério do Desenvolvimento, de exportações de 180 bilhões de dólares em 2008, será superada.
Para o ministro, o aumento da tributação sobre investimentos estrangeiros em títulos públicos, anunciado pelo Ministério da Fazenda em meados de março, já surtiu efeito sobre o câmbio. Continuação...
