Farc e ELN são insurgentes, não terroristas, diz Chávez
CARACAS (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu nesta sexta-feira à Colômbia e ao mundo que deixem de considerar como "terroristas" os grupos guerrilheiros Farc e ELN, mas a Colômbia rejeitou a proposta, abrindo um novo capítulo na crise diplomática bilateral.
Chávez pediu para que classifiquem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional como "insurgentes" um dia depois da liberação de duas reféns que estavam nas mãos das Farc.
"Embora possa incomodar alguns, as Farc e o ELN não são corpos terroristas, são exércitos, verdadeiros exércitos", declarou o presidente em sua apresentação anual diante do Parlamento.
"(A classificação de terroristas) tem uma só causa: a pressão dos Estados Unidos", acrescentou Chávez, que culpa o "império" de Washington pelos principais problemas do mundo.
Chávez disse ainda estar disposto a retomar o diálogo com o colega colombiano, Alvaro Uribe, para tentar impulsionar um processo de paz nesse país.
"Senhor presidente da Colômbia, gostaria de retomar com você o diálogo, mas em um novo nível. Peço-lhe que comecemos reconhecendo as Farc e a ELN como forças insurgentes da Colômbia, e não como grupos terroristas", afirmou.
O presidente venezuelano teve na quinta-feira um êxito político ao conseguir que as Farc entregassem as reféns Clara Rojas e Consuelo González após seis anos de sequestro na selva, o que reanimou as esperanças para outras dezenas de reféns que estão com os guerrilheiros.
A resposta do governo colombiano não demorou: "A verdade é que é uma solicitação totalmente insólita e desproporcional; o governo não pode admitir uma solicitação desta natureza", disse o ministro do Interior, Carlos Holguín, a uma rádio local.
Em novembro, Bogotá tirou o venezuelano do processo de negociação com as Farc, iniciando uma profunda crise diplomática bilateral. Continuação...

