Brasil quer política anticíclica global contra crise
Por Isabel Versiani e Daniela Machado
SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil vai propor ao G20 a criação de comissões para tratar do que considera os três grandes "eixos" decorrentes da crise mundial: reconstituição do sistema financeiro, nova regulação e adoção de políticas anticíclicas globalmente.
A idéia foi detalhada à Reuters pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos anfitriões da reunião que acontece neste final de semana em São Paulo com ministros da área e presidentes de bancos centrais das 19 principais economias do mundo mais a União Européia.
"O que já foi feito é positivo e necessário, mas não é suficiente porque até agora nós não conseguimos restabelecer o sistema de crédito em bases mínimas. O sistema financeiro mundial não está funcionando", avaliou Mantega.
"Nossa idéia é canalizar esse evento para que ele possa desembocar em propostas de comissões que se formem para abordar cada um dos grandes itens que dizem respeito a essa crise".
Para Mantega, o tema mais emergencial é o de reconstrução do sistema financeiro, para fazer com que os empréstimos interbancários voltem a fluir e que o crédito chegue às empresas. "Sem o crédito, a máquina da produção mundial não funciona adequadamente e estamos assistindo uma retração econômica muito forte", argumentou.
O ministro também defendeu que as comissões seriam o melhor foro para discutir uma nova regulação dos mercados e até mesmo a criação de novas instituições de âmbito mundial.
"Nós queremos dar mais transparência ou menos? Nós queremos estabelecer níveis de alavancagem ou não? Nós queremos estabelecer marcação a mercado ou não? Isso requer um trabalho intenso de elaboração e discussão que só poderá ser feito em grupos de trabalho", afirmou.
Para Mantega, o G20 tem vantagem sobre o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) para travar essa discussão. "Antigamente o G7 dava conta. Mas agora certamente é insatisfatório". Continuação...

