Muitos países ignoram tráfico humano, diz ONU

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009 17:23 BRST
 

Por Mark Heinrich

VIENA (Reuters) - O tráfico humano para fins sexuais e de trabalho forçado parece estar se agravando, porque muitos países ignoram esse problema globalizado, disse na quinta-feira o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês).

O relatório não traz cifras, mas o Departamento de Estado dos EUA estima que 800 mil pessoas sejam vítima do tráfico humano por ano, enquanto a Organização Internacional do Trabalho disse em 2005 que eram 2,5 milhões.

O estudo do UNODC disse que 40 por cento dos países afetados não registraram uma só condenação, o que seria crucial para a dissuasão.

"No seu 200o aniversário, Abraham Lincoln deve estar se revirando no túmulo", disse à Reuters Antonio Maria Costa, diretor-executivo da agência. "O Grande Emancipador não acabou com a escravidão. Ela está viva e bem, na forma do tráfico humano --um crime que nos envergonha a todos."

Embora mulheres e meninas sejam as principais vítimas, as mulheres são a maioria entre os traficantes de pessoas em quase um terço dos 155 países pesquisados. Em 20 por cento dos casos, as vítimas eram crianças, mas na região do delta do Mekong (Sudeste Asiático) e em partes da África chegavam a ser maioria.

"Os dedos ágeis das crianças são explorados para desembaraçar redes de pesca, costurar produtos de luxo e colher cacau. Sua inocência é abusada para a mendicância, ou explorada para o sexo, como prostitutas", disse o UNODC.

Cerca de 79 por cento dos casos de tráfico humano envolve a escravidão sexual, e 18 por cento abrangem trabalho forçado, casamentos à revelia e remoção de órgãos.

"A opinião pública está acordando para a realidade da escravidão moderna, mas muitos governos ainda negam. Há até mesmo negligência quando se trata de relatar ou mover processo contra casos de tráfico", disse Costa no relatório. "Tememos que o problema esteja piorando, mas não podemos provar por falta de dados, e muitos governos estão obstruindo."  Continuação...