Indústria corta mais empregos, mas tenta se recuperar

quinta-feira, 12 de março de 2009 16:57 BRT
 

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de trabalho brasileiro mostrou nesta quinta-feira novos sinais de deterioração diante da crise global, mas alguns termômetros sobre a confiança da indústria, um dos setores mais afetados, começam a esboçar melhora.

O nível de emprego da indústria paulista teve o pior mês de fevereiro da série histórica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), iniciada em 1995. Foram fechados 43 mil postos de trabalho, uma queda de 2,09 por cento em relação a janeiro, segundo dados com ajuste sazonal.

Analisando o emprego no Estado desde que a crise se aprofundou, a Fiesp destacou números ainda mais sombrios.

Entre outubro passado e fevereiro deste ano, foram fechadas 236.500 vagas --cerca de 200 mil além do número de empregos perdidos nesse período nos últimos anos.

"Isso representa de 8 a 8,5 por cento do universo de empregos na indústria do Estado", disse Paulo Francini, diretor do departamento econômico da Fiesp.

Somente em fevereiro, 20 dos setores pesquisados relataram perda de empregos e dois tiveram aumento. Entre os destaques negativos esteve o setor de Equipamentos de transporte exceto veículos automotores, já levando em conta as mais de 4 mil demissões anunciadas pela Embraer, mas que ainda são discutidas na Justiça.

Uma pesquisa separada da Confederação Nacional da Indústria (CNI), também divulgada nesta quinta-feira, revelou que 54 por cento das empresas do setor já cortaram pessoal para fazer frente à crise, e 36 por cento disseram que ainda pretendem fazê-lo.

De acordo com a sondagem, feita junto a 431 empresas entre 4 e 11 de março, 55 por cento dos entrevistados disseram que o impacto da crise sobre suas companhias aumentou na comparação com dezembro de 2008.   Continuação...